
O samba foi, ano a ano, atravessando fronteiras. E alguns artistas foram fundamentais para que o movimento musical saísse das rodas de samba e das ruas para que chegassem às rádios, aos shows e fizessem história no coração do público.
Veja quais nomes levaram o samba para além das rodas e, para além de manterem a tradição do movimento, conquistaram o coração grande público.
O que faz um sambista ser famoso?

O sambista se torna popular por alguns fatores. São prestigiados artistas que tenham um estilo genuíno, que frequentem rodas de terreiro, morros e comunidades. Além disto, demonstrem autenticidade tanto na voz quanto nas composições.
Também é valorizada a habilidade de compor sambas que tenham um tom lírico e, inclusive, apresentem crônicas sociais. Preservar a emoção da música também é relevante.
Sambistas famosos também garimpam e gravam compositores de comunidades. Outra vitrine é o de sambas-enredo.
A chegada às rádios também acentua a popularização do sambista, mas cabe a ele ganhar espaço com uma identidade no seu repertório.
TOP-10 sambistas mais famosos

Não faltam nomes que se eternizaram entre os sambistas famosos da história da Música Popular Brasileira. No entanto, há dez nomes que são rapidamente associados por terem proporcionado releituras que atravessaram décadas. Veja abaixo:
- Noel Rosa
- Cartola
- Nelson Cavaquinho
- Adoniran Barbosa
- Ataulfo Alves
- Dorival Caymmi
- Ary Barroso
- Silas de Oliveira
- Luiz Carlos da Vila
- Beto Sem Braço
Noel Rosa
Um dos principais cronistas do samba, Noel Rosa ficou eternizado por consagrar o ritmo com canções como “Conversa de Botequim”, “Feitio de Oração”, “O Orvalho Vem Caindo”, “Gago Apaixonado” e “Feitiço da Vila”. Sua música rendeu tributos de Araci de Almeida a Teresa Cristina.
Cartola
Um dos fundadores da Mangueira, Cartola é outro nome facilmente associado ao samba. São de sua autoria clássicos do quilate de “As Rosas Não Falam”, “Alvorada”, “O Sol Nascerá”, “Verde Que Te Quero Rosa” e “O Mundo É Um Moinho”. É interpretado de maneira recorrente, e ficou popularizado em especial por Beth Carvalho.
Nelson Cavaquinho
Compositor de grande qualidade, Nelson Cavaquinho tinha grande ligação com a Mangueira, para quem escreveu “Folhas Secas”. Além disto, fez pérolas como “Juízo Final” e “A Flor E O Espinho”, que foram interpretadas por artistas como Gal Costa e Beth Carvalho.
Adoniran Barbosa
Considerado o fundador do samba paulista, Adoniran Barbosa é o responsável por crônicas bem-humoradas e uma linguagem ítalo-brasileira. São de sua autoria canções como “Trem das Onze”, “Samba do Arnesto”, “Iracema”, “Vespa de Natal”, “Nóis Viemo Aqui Pra Quê?”, “Tiro Ao Álvaro” e “Torresmo À Milanesa”. Foi interpretado com frequência pelo grupo Demônios da Garoa, mas também recebeu gravações de artistas como Carlinhos Vergueiro (seu parceiro musical), Chico Buarque, Clementina de Jesus e Gal Costa.
Ataulfo Alves
Ataulfo Alves é outro sambista famoso entre os artistas. São de sua autoria clássicos como “Ai, Que Saudades da Amélia”, “Atire A Primeira Pedra”, “Leva Meu Samba”, “Vai, Mas Vai Mesmo”, “Errei… Erramos” e “Você Passa E Eu Acho Graça” (curiosa parceria com Carlos Imperial). Suas músicas foram gravadas por nomes como Dalva de Oliveira, Clara Nunes e Roberto Carlos.
Dorival Caymmi
“Quem não gosta de samba bom sujeito não é”. O samba ganhou tempero baiano com Dorival Caymmi e trouxe clássicos como “Samba da Minha Terra”, “Maricotinha” e “Você Já Foi À Bahia?”. Além de gravações de seus filhos Dori, Danilo e Nana Caymmi, recebeu gravações de cantores como Gal Costa, Roberto Carlos e Roberta Sá.
Ary Barroso
Autor do samba mais conhecido mundo afora, Ary Barroso pintou a imagem da “Aquarela do Brasil”. Além disto, apresentou sambas como “Rio de Janeiro (Isso É O Meu Brasil)”, “Isso Aqui, O Que É?”, “Camisa Listrada” e “Na Baixa do Sapateiro”. Ficou eternizado em um tributo de Gal Costa e nas vozes de nomes como Caetano Veloso, Roberto Carlos, Linda Batista e Francisco Alves.
Silas de Oliveira
Um dos compositores mais popularizados da história, se consagrou com o clássico samba-enredo “Aquarela Brasileira”, que ganhou as rádios na voz de Martinho da Vila. Compositor de mão cheia, fez ainda músicas como “Heróis da Liberdade”, “Os Cinco Bailes da História do Rio” e “Pernambuco, Leão do Norte”.
Luiz Carlos da Vila
Compositor de grande categoria, Luiz Carlos da Vila foi autor de “O Show Tem Que Continuar” ao lado de Arlindo Cruz e Sombrinha. O sucesso do Grupo Fundo de Quintal atravessa rodas de samba e já foi regravado por outros artistas. Luiz Carlos da Vila ainda fez canções como “Doce Refúgio”, “Romance dos Astros”, “Fada” e o samba-enredo “Kizomba, A Festa da Raça”.
Beto Sem Braço
Consagrado como um dos autores de “Bum Bum Paticumbum Prugurundum”, célebre samba-enredo do Império Serrano, Beto Sem Braço fez história também com outras músicas. Parceiro de nomes como Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Arlindo Cruz e Sombrinha, é autor de canções como “Brincadeira Tem Hora”, “Boêmio Feliz”, “Camarão Que Dorme A Onda Leva” e “Quando Eu Contar (Iaiá)”.
Sambistas com maior sucesso popular

Vários sambistas saíram das rodas, chegaram às rádios e caíram no gosto popular do país. Há gerações que até hoje fazem muito sucesso pelo país afora com um repertório de grande sucesso.
Paulinho da Viola
Considerado o “príncipe do samba”, Paulinho da Viola não só é um grande compositor, mas também um estudioso profundo. Colecionou sambas de destaque como “Argumento”, “Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida”, “Coisas do Mundo, Minha Nêga”, “Pecado Capital”, “Bebadosamba”, “Timoneiro”, “Sinal Fechado” e “Eu Canto Samba”.
Martinho da Vila
Artista que incorporou a Vila Isabel até mesmo no nome artístico, Martinho da Vila é outro sambista que ficou famoso em sua trajetória. O cantor entoou clássicos como “Canta, Canta, Minha Gente”, “Casa de Bamba”, “Pra Que Dinheiro?”, “Mulheres”, “Ex-Amor” e fez um gravação antológica de “Aquarela Brasileira”, de Silas de Oliveira.
Clara Nunes
Cantora de grandioso sucesso, Clara Nunes tem seu repertório lembrado mesmo depois de 40 anos de sua morte. A artista deu voz a músicas primorosas como “O Mar Serenou”, “O Canto das Três Raças”, “Morena de Angola”, “Você Passa E Eu Acho Graça”, “Conto de Areia” e “Feira de Mangaio”.
Beth Carvalho
Após despontar no Festival Internacional da Canção de 1968 interpretando “Andança” (que ficou em terceiro lugar, abaixo de “Sabiá” e “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores”), Beth Carvalho voltou-se para o samba. Coube à madrinha resgatar compositores como Nelson Cavaquinho e Cartola, de quem gravou músicas como “O Mundo É Um Moinho” e “As Rosas Não Falam”. Posteriormente, foi essencial para lançar artistas ligados ao Cacique de Ramos, e revelou Zeca Pagodinho, Almir Guineto e Jorge Aragão. Gravou músicas que se consagraram pela sua voz, como “Coisinha do Pai”, “Saco de Feijão” e, em especial, “Vou Festejar” .
Alcione
Outro grande símbolo do samba. Natural do Maranhão, Alcione inicialmente se apresentava em boates e chegou a trabalhar no Canecão como cantora. Porém, assim que conseguiu gravar, se dedicou essencialmente ao samba. Denominada como “Dama do Samba”, a “Marrom” ganhou as rádios com o clássico “Não Deixe o Samba Morrer”. Depois, entoou músicas como “Garoto Maroto”, “Gostoso Veneno”, “Sufoco”, “Estranha Loucura”, “Meu Ébano”, além de uma gravação memorável de “Juízo Final”.
Bezerra da Silva
Referência ao contar o dia a dia das comunidades e do partido alto, Bezerra da Silva presenteou o público ao trazer canções como “Malandro Não Vacila”, “Malandragem, Dá Um Tempo”, “Sequestraram Minha Sogra” e “Se Gritar Pega Ladrão”.
Dona Ivone Lara
Rainha do Samba, Dona Ivone Lara foi uma das grandes compositoras da música brasileira e também se lançou como cantora. Fez sambas-enredo belíssimos, como “Os Cinco Bailes da História do Rio”. Mais tarde, emplacou canções como “Acreditar” e “Sonho Meu”, e interpretou “Sorriso Negro”.
Arlindo Cruz
Um dos ícones da safra de cantores e compositores que ganharam espaço nas rádios na década de 1980, Arlindo Cruz apresentou pérolas como “Meu Lugar”, “Camarão Que Dorme A Onda Leva” e “Samba do Arerê”.
Jorge Aragão
Um dos integrantes da formação inicial do Fundo de Quintal, Jorge Aragão iniciou carreira solo e se tornou um compositor de mão cheia. Fez clássicos como “Coisinha do Pai” (que tocou até em Marte), “Vou Festejar”, “Papel de Pão”, “Eu E Você Sempre” e “Enredo do Meu Samba”.
Zeca Pagodinho
Zeca Pagodinho é um dos ícones do samba. Com um jeito peculiar de cantar e estilo bem-humorado, empilhar clássicos desde “O Feijão da Dona Neném”, passando por músicas como “Verdade”, “Deixa a Vida Me Levar”, “Samba Pras Moças”, “Coração Em Desalinho”, “Água da Minha Sede” e “Caviar”.
Os mais ouvidos atualmente

De acordo com a plataforma Spotify, Thiaguinho lidera a preferência dos ouvintes entre samba e pagode. O cantor está com as três primeiras faixas do TOP-10 no momento (“Falta Você”, “Deixa Como Tá” e “Domingando”).
Na geração atual também há espaço para o Grupo Menos É Mais, Sorriso Maroto e Ferrugem. Mas a lista de mais ouvidas também inclui alguns artistas tradicionais, como Beth Carvalho, Paulinho da Viola, Martinho da Vila e Cartola.