
O Brasil se despediu na noite de domingo de um dos dos maiores nomes de sua música. Benito Di Paula morreu aos 84 anos.
Benito Di Paula não resistiu a complicações de um câncer de próstata há um ano, e morreu em um hospital em São Paulo. O cantor e compositor, um dos marcos do samba, deixou um vasto legado na música brasileira.
Benito Di Paula: os primeiros passos

Benito Di Paula iniciou sua trajetória como crooner na década de 1960. Em 1966, gravou seu primeiro compacto, com as músicas “Final” e “Bem Feito”, e em 1968, um segundo, com as faixas “Canção Para O Nosso Amor”, de sua autoria, e “Andança”, sucesso de Beth Carvalho feita por Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós. Na época, ele ainda utilizava seu nome de batismo: Uday Veloso.
Seu primeiro sucesso expressivo foi “Canção Para O Nosso Amor”, tema da novela “Nino, O Italianinho”, exibida na TV Tupi. Pouco depois, passou a utilizar o nome artístico Benito Di Paula.
Sucesso de décadas de Benito Di Paula

Posteriormente, Benito Di Paula se tornou um nome de grande sucesso da música brasileira. Seu estilo abriu espaço para o que a crítica musical chamava se “samba-joia”. O tom, embora inicialmente fosse depreciativo, era uma forma de designar um samba que incluía tons mais românticos.
São de sua autoria clássicos como “Retalhos de Cetim” e “Charlie Brown”. Veja abaixo clássicos e músicas para serem descobertas do repertório de Benito Di Paula.
“Retalhos de Cetim”
Em 1973, Benito Di Paula teve seu primeiro sucesso estrondoso. “Retalhos de Cetim” foi um sucesso em casas de samba em São Paulo e recebeu gravações de artistas como Jair Rodrigues, Miltinho, o guitarrista Paul Muriat e, mais recentemente, Xande de Pilares e Jotape.
“Charlie Brown”
Benito Di Paula apresentou outro clássico de sua autoria anos depois. Em “Charlie Brown”, o cantor e compositor parte do personagem de história em quadrinhos para apresentar as maravilhas do país.
“Mulher Brasileira”
Bem sincopado, Benito Di Paula apresentou sua reverência às mulheres com “Mulher Brasileira”. A reverência foi de Norte a Sul do país.
“Do Jeito Que A Vida Quer”
“Do Jeito Que A Vida Quer” apresenta um samba que aborda a angústia do intérprete. E entrou para a lista de sucessos do cantor.
“Ah! Como Eu Amei”
De autoria dos irmaos Jotta e Ney Velozo, “Ah! Como Eu Amei”, sucesso da década de 1980, fala sobre um amor que ficou guardado no peito.
“Amigo do Sol, Amigo da Lua”
Parceria de Benito Di Paula com Márcio Brandão Carneiro lançada em 1984, trata-se de uma música leve, uma carta aberta às crianças. O cantor e compositor fez para seu filho, Rodrigo.
“Tributo A Um Rei Esquecido”
Em 1974, no mesmo disco que traz “Retalhos de Cetim”, Benito Di Paula traz uma pérola. Em “Tributo A Um Rei Esquecido”, o cantor e compositor homenageia Geraldo Vandré. A música em reverência ao autor de “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores” driblou a Censura da época.
“Quero Ver Você de Perto”
Benito Di Paula teve duas músicas gravadas por Roberto Carlos. Uma delas foi “Quero Ver Você de Perto”, que o cantor incluiu no seu disco anual de 1974. Benito fez uma versão autoral seis anos depois.
“Amanheceu”
No ano seguinte, Benito Di Paula emplacou outra música em um disco de Roberto Carlos. Trata-se de “Amanheceu”.
“Apesar de Você”
Em seu primeiro LP, Benito Di Paula aparece basicamente como intérprete. O que chama atenção em especial no disco lançado em 1971 é a faixa de abertura: “Apesar de Você”. A música de Chico Buarque ganhou uma gravação muito forte na voz do intérprete.
Porém, o fato da Censura vetar a canção custou caro a Benito Di Paula: o disco foi retirado das lojas rapidamente. O álbum ainda traz outras pérolas do cantor como intérprete: ele canta clássicos como “Jesus Cristo”, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, “A Tonga da Mironga do Kabuletê”, de Vinícius de Moraes e Toquinho, “Azul da Cor do Mar”, de Tim Maia, “Madalena”, de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza, “Viagem”, de Taiguara, e “Menina”, de Paulinho Nogueira.