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Cinema e TV

Cotada para o Oscar de Melhor Animação, “O Bosque Selvagem” chega ao circuito brasileiro nesta quinta-feira

"O Bosque Selvagem" é baseado em livro de Colin Meloy e traz animação em stop-motion
Vinicius FaustiniPor Vinicius Faustini28 de outubro de 2026
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(Foto: Divulgação)

Um dos filmes que rendem forte expectativa chega ao circuito nesta quinta-feira. Trata-se de “O Bosque Selvagem”, projeto do  estúdio LAIKA, responsável por “Coraline” e o “Mundo Secreto”.

Resultado de 16 anos de trabalho, “O Bosque Selvagem” é uma animação em stop-motion dirigida por Travis Knight. O filme chega ao país com com 100% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, e é o mais bem avaliado da história do estúdio. Além disso, obteve média 4,5 (de 5) no Letterboxd.

“O Bosque Selvagem”: animação cotadíssima para o Oscar

Cotado para o Oscar de Melhor Animação, o “Bosque Selvagem” é baseado no livro de Colin Meloy, com ilustrações de Carson Ellis.

“O Bosrque Selvagem” acompanha Prue McKeel (que a atriz Giulia Benite faz na versão dublada), uma adolescente obstinada que vê o irmão caçula ser levado por um bando de corvos. Para resgatá-lo, ela parte rumo à Floresta Impenetrável, uma mata encantada escondida logo além de Portland, no Oregon.

Ao lado de Curtis Mehlberg (Pedro Burgarelli na versão dublada), colega de classe atrapalhado, porém leal e secretamente apaixonado por ela, Prue atravessa um mundo de animais falantes, bandidos e figuras poderosas movidas por luto e ambição. Quando a dupla é arrastada para um conflito que ameaça o equilíbrio da própria floresta, a jovem precisa encontrar uma força que nunca soube ter e arriscar tudo para trazer o irmão de volta.

Do outro lado do conflito está Alexandra, a Governadora Viúva, personagem que encarna de forma trágica a dúvida sobre até onde ir por quem amamos. Muito antes de ser vista como vilã, Alexandra era apenas uma mãe. A morte do filho pequeno despedaçou seu mundo de tal forma que ela se recusou a aceitá-la como definitiva. Na tentativa de derrotar a morte, acabou aprisionada no próprio luto, sacrificando a compaixão, a razão e, por fim, a humanidade em busca do impossível. Alexandra não é movida pela crueldade, mas por um amor que se transformou em obsessão.

É o lembrete de que até nossas virtudes mais profundas, quando perdem os limites, podem se tornar nossas maiores tragédias.

-O luto pode fazer o impossível parecer negociável -resume o diretor Travis Knight.

Pelo caminho, Prue encontra aliados que revelam as muitas faces da coragem. Brendan, líder dos Bandidos, conquistou o posto pela confiança dos companheiros, não pela busca de poder, e logo reconhece na jovem a rara disposição de escolher o que é certo em vez do que é fácil. A General, majestosa comandante do Principado Aviário, governa com autoridade e sabedoria e é uma das poucas figuras capazes de enxergar além das disputas entre facções. Já a pequena e maltrapilha Septima, subestimada por quase todos, sobrevive de esperteza e lábia, misturando trapaça, humor e uma lealdade surpreendente. A jornada ainda reúne a guerreira Niamh, o excêntrico e teatral Corujão Rei, a sábia Iphigenia, alma mais antiga do bosque, o Chefe dos Correios, que conhece como ninguém os caminhos ocultos da floresta, e o azarado Dmitri, um soldado de decência inabalável.

Ao lado de Alexandra está Maksim, que serve a Governadora com devoção absoluta, convicto de que a ordem vale qualquer preço, e encarna a certeza sedutora do poder autoritário. Mais discreto, mas não menos perigoso, Lars Svik não busca amor, e sim controle, certo de que o destino das nações se decide em salas silenciosas. Na família de Prue, a mãe, Sra. McKeel, acolhedora e artística, e o pai, Sr. McKeel, engraçado e pé no chão, mostram que os gestos comuns de cuidado também podem ser heroicos.

“O Bosque Selvagem”: projeto bastante acalentado

A história de “O Bosque Selvagem” começou antes mesmo de o livro chegar às livrarias em 2001. Um ano antes, Knight leu o manuscrito ainda inacabado de Colin Meloy e soube na hora que queria adaptá-lo. A escala da história, porém, estava além do que o stop-motion permitia na época, e o projeto amadureceu por 16 anos enquanto a LAIKA lançava outros filmes.

Os storyboards começaram a ser desenvolvidos em 2018, a pré-produção teve início em 2020, poucas semanas antes da pandemia, e as filmagens começaram oficialmente em 2021.

Travis Knight e uma equipe de mais de mil artistas, artesãos, técnicos e realizadores trabalharam por anos para dar vida ao roteiro que ele assina ao lado de Chris Butler, que já havia assinado os roteiros de “ParaNorman”, “Kubo” e as “Cordas Mágicas” e “Link Perdido”.

“O Bosque Selvagem”: trabalho intenso

A equipe liderada pelo designer principal de personagens Thibault Leclercq desenvolveu o visual dos personagens, enquanto a figurinista Deborah Cook confeccionava as roupas em miniatura e o diretor de arte Nelson Lowry transformava as peculiaridades de Portland, cidade-sede da LAIKA, em cenários que funcionam como uma declaração de amor da equipe à cidade.

Para a fotografia, Knight convidou Caleb Deschanel, seis vezes indicado ao Oscar. O profissional estreia no stop-motion após décadas de carreira no live-action, experiência que reconfigurou a forma como o estúdio pensa a imagem. A trilha sonora é de Dario Marianelli, vencedor do Oscar por “Desejo e Reparação”, que já havia composto para a LAIKA em Kubo e as “Cordas Mágicas” e “Os Boxtrolls”.

Os números dão a dimensão do projeto: foram 231 semanas de produção, 2.804 planos na versão final e 132 cenários práticos, que dão forma a 117 locações distintas. Para que os 233 bonecos transmitissem emoção real, foram criados 142.030 rostos substituíveis, trocados quadro a quadro. O número supera os cerca de 106 mil de Link Perdido, até então o recorde entre os longas em stop-motion. Cada personagem principal recebe um rosto único para cada quadro de animação, o equivalente a 24 rostos por segundo de filme, e cada um deles é preservado no acervo da LAIKA como uma obra de arte individual.

Diretor fala sobre cuidado em torno de “O Bosque Selvagem”

(Foto: Divulgação)

O diretor Travis Knight destacou a forma como o filme é feito de maneira minuciosa:

-Nosso filme foi feito à mão, um quadro por vez, e acredito que o público consegue sentir essa presença humana na imagem. Mas o artesanato nunca é o ponto. O sentimento é o ponto. A técnica é apenas o modo como comunicamos algo íntimo e vivo. Não fazemos esses filmes para que as pessoas vejam o trabalho por trás deles. Fazemos para que, por um tempo, elas esqueçam completamente o trabalho e acreditem na vida diante delas – contou.

“O Bosque Selvagem” tem brasileiros na equipe

“O Bosque Selvagem” traz brasileiros na equipe que cria este universo fantástico. Um deles é Thiago Calçado, animador de stop-motion com experiência em algumas das principais produções internacionais da técnica, e Marcelo Amp, especialista em moldagem e fundição de silicone.

Thiago Calçado volta a trabalhar com o diretor Travis Knight após participar de “Kubo e as Cordas Mágicas” (2016), produção da LAIKA indicada ao Oscar de Melhor Animação e de Melhores Efeitos Visuais, além de vencedora do BAFTA de Melhor Animação, de três prêmios Annie®e do National Board of Review®. Ao longo da carreira, Calçado também fez parte da equipe de animação de “Minhocas” e “Dyrene i Hakkebakkeskogen”, longa norueguês inspirado no livro clássico de Thorbjørn Egner. Trabalhou no aclamado “Ilha dos Cachorros” (2018), de Wes Anderson, indicado ao Oscar de Melhor Animação e de Melhor Trilha Sonora Original e vencedor do Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim.

Outro destaque de sua carreira é a participação como animador sênior de !Pinóquio” (2022) de Guillermo del Toro, e o responsável por animar a Morte, uma das figuras mais marcantes do filme vencedor de outros 71 prêmios ao redor do mundo. Sua trajetória contempla também “A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets” (2023), da Aardman, e o desenvolvimento de projetos próprios como diretor: a série de animação 2D “Ana Bolinha” (2021) e “Sol em Dó Ré Mi” (2024), exibida na TV Brasil, que combina animação 2D e stop-motion.

Marcelo Amp integra a equipe de efeitos especiais e trabalhou na criação da pele dos bonecos, uma etapa essencial para garantir a aparência realista dos personagens, a interação dos materiais com a iluminação e a flexibilidade necessária para a animação quadro a quadro. Amp também é conhecido por trabalhar em filmes brasileiros como “Morto Não Fala” (2018), “Reza a Lenda” (2016), além do estrangeiros “Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheir”o (2018), e “Remanente: Voltagem” (2026).

Filme traz números curiosos em sua feitura

“O Bosque Selvagem” traz números curiosos no decorrer do trabalho. Veja abaixo:

  • Recorde no stop-motion: uma única cena exigiu 1.124 rostos substituíveis, 555 para Prue e 569 para Curtis. Segundo a LAIKA, é o maior número já usado em um único plano na história da técnica.
  • Lágrimas: 67 planos mostram lágrimas visíveis, mais de dez vezes o recorde anterior do estúdio, que pertencia a Os Boxtrolls, com apenas seis.
  • Do minúsculo ao gigante: o menor boneco, a Mini Septima, tem apenas 4,1 cm de altura. O maior, a General, mede 86 cm do bico à cauda e tem 1,63 m de envergadura, a altura de um adulto.
  • Pena por pena: cada boneco da General carrega 3.794 penas colocadas individualmente.
  • Uma floresta feita à mão: 728 árvores artesanais representam dez espécies do noroeste do Pacífico. A armação mais alta chega a 5,72 m, quase a altura de um sobrado.
  • Do tamanho de dois campos de futebol: as filmagens ocuparam 112 palcos, em uma área de mais de 14.400 m².
  • De São Paulo a Brasília em arame: a produção usou cerca de 1.151 km de arame de latão, mais que a distância rodoviária entre as duas cidades. Todo o material foi reciclado ao fim das filmagens.
Estados Unidos
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