
A semana marca a chegada ao circuito de “100 Dias”. Com direção de Carlos Saldanha, o filme resgata um momento significativo na trajetória de Amyr Klink.
Com Filipe Bragança no papel de Amyr Klink, o filme, inspirado em uma das grandiosas histórias da navegação mundial.
Amyr Klink: travessia consagradora
Baseado no livro “100 Dias Entre O Céu E O Mar”, o filme resgata a travessia que tornou Amyr Klink conhecido. O navegador partiu da Namíbia rumo ao Brasil para cruzar sozinho o Oceano Atlântico Sul a bordo de um barco a remo (veja o trailer aqui).
Posteriormente, vieram tantas outras expedições que vieram depois, o navegador continua sendo lembrado não apenas por seus feitos históricos, mas pela capacidade de transformar desafios aparentemente impossíveis em realidade. Amyr Klink é mostrado por sua coragem, planejamento, resiliência e uma relação profunda com o mar.
Amyr Klink: momentos marcantes de sua história

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Natural de São Paulo, Amyr Klink começou a frequentar Paraty, no litoral do Rio de Janeiro, ainda aos dois anos, durante viagens com a família. Foi ali que sua relação com o mar começou a ganhar forma. Aos 10 anos, comprou sua primeira canoa, batizada de Max, dando início a uma história com embarcações que o acompanharia por toda a vida.
Décadas antes das grandes expedições, portanto, barcos e navegação já faziam parte do universo de Amyr Klink. A cidade litorânea se tornaria uma referência importante em sua trajetória e o lugar onde aquele interesse da infância começaria a se transformar em projetos cada vez maiores.
Conhecido mundialmente como navegador e explorador, Amyr também tem uma formação que, à primeira vista, pode parecer distante do mar: é graduado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e tem especialização em Administração.
Porém, planejamento e gestão sempre estiveram presentes em suas aventuras. Estudar rotas e condições climáticas, desenvolver embarcações para desafios específicos e calcular recursos para passar longos períodos longe de terra firme são partes fundamentais de projetos que começam muito antes de o barco deixar o porto. Por trás das grandes travessias, a preparação sempre foi uma das marcas de Amyr.
100 dias precedidos por vasta preparação

A travessia que tornaria Amyr conhecido começou muito antes de ele colocar o barco no Oceano Atlântico. Foram cerca de dois anos de preparação, entre estudos de correntes marítimas, definição da rota, planejamento logístico e construção da embarcação.
O próprio barco, batizado de I.A.T., foi pensado especialmente para a travessia e construído do zero pelo navegador em parceria com o engenheiro naval José Carlos Furia. O projeto precisava responder a um dos maiores desafios da viagem: sobreviver ao Atlântico Sul sem vela ou motor, contando apenas com os remos, as correntes e a capacidade de a embarcação se recuperar de uma eventual capotagem.
E o projeto foi colocado à prova logo nos primeiros dias. Próximo à costa africana, o I.A.T. chegou a virar três vezes. Graças ao sistema de tanques anticapotagem idealizado para o barco, a embarcação voltava sozinha à posição original, como um joão-bobo.
O Atlântico Sul foi apenas o primeiro grande capítulo de uma trajetória que levaria o brasileiro a alguns dos ambientes mais extremos do planeta. Depois da travessia de 1984, o navegador passou a dedicar parte importante de sua carreira às regiões polares, com diversas expedições à Antártica e ao Ártico.
Em sua segunda grande aventura, iniciada em 1989, o explorador passou nada menos que 13 meses na Antártica, sendo sete deles imobilizados pelo gelo. Ao todo, foram 642 dias de viagem e cerca de 50 mil quilômetros percorridos.
A partir da experiência da travessia do Atlântico, outras expedições também ganharam as páginas. Anos depois, em 1998, voltou aos mares gelados para realizar outra façanha: uma circunavegação polar solitária, navegando pelos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico. Foram 88 dias e 14 mil milhas náuticas, em uma viagem marcada por ventos de até 120 km/h, um iceberg de cerca de 40 metros de altura e uma tempestade que o obrigou a passar 50 horas acordado ao leme do Paratii.
“100 Dias” é baseado em um de seus best-sellers

A travessia de 1984 virou em páginas e palavras em “Cem Dias Entre Céu e Mar”, publicado um ano após a aventura. O relato transformou a experiência de Amyr em um fenômeno editorial e ajudou a levar sua história para além do universo da navegação.
Mais de quatro décadas depois, a obra ganhou uma nova edição revisada pela Companhia das Letras. Com o texto revisado e novo projeto gráfico, a edição celebra os 41 anos da publicação e convida uma nova geração de leitores a revisitar a jornada.
Ao longo dos anos, Amyr publicou títulos como “Paratii: Entre Dois Polos”, ”As Janelas do Paratii”, “Mar Sem Fim e Linha d’Água”, transformando experiências vividas em alto-mar e nas regiões polares em relatos que ajudaram a aproximar suas aventuras de diferentes gerações de leitores.