O Partido dos Trabalhadores (PT) negou os rumores sobre a filiação do rapper Mauro David dos Santos Nepomuceno, o Oruam, de 25 anos. Os boatos que circulam nas redes sociais apontavam uma suposta candidatura do cantor para as eleições de 2026. Em comunicado na última quarta-feira (26), as executivas municipal e estadual da legenda refutaram “qualquer contato institucional” sobre o tema.

“O Partido dos Trabalhadores do Rio de Janeiro informa que desconhece totalmente a informação veiculada sobre visita ou qualquer tratativa envolvendo o artista Oruam para eventual candidatura em 2026. Não houve reunião, diálogo formal ou qualquer contato institucional sobre esse tema”, informa a nota.
O PT disse ainda que o seu processo para candidaturas é “democrático, transparente e conduzido de forma coletiva”, seguindo “rigorosamente as normas internas do partido”. “Qualquer informação oficial sobre esses processos será comunicada exclusivamente pelos canais institucionais do PT”.
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Já o vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, atribuiu à direita a divulgação do boato sobre a suposta filiação do rapper Oruam ao partido. O dirigente negou que a legenda no Rio de Janeiro tenha a intenção de lançar uma candidatura do rapper nas eleições de 2026 e vetou a possibilidade. Para ele, o cantor é “ligado ao poder do tráfico”.

“Foi uma fake news feita pela direita com objetivo de tentar associar o PT à defesa de criminosos. Ele é rapper, mas é ligado ao poder do tráfico. Não vamos permitir a filiação nem a candidatura dele pelo PT”, disse o prefeito de Maricá ao “Metrópoles”.
Oruam tem uma série de polêmicas ao longo da vida
Oruam é filho de Márcio Nepomuceno, também conhecido como Marcinho VP, apontado pelo Ministério Público como um dos chefes da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Ele está preso desde 1996 por assassinato, formação de quadrilha e tráfico. Ele tem uma tatuagem em homenagem ao pai e ao traficante Elias Maluco, condenado pelo assassinato do jornalista Tim Lopes, em 2002.
O cantor acumula uma série de polêmicas ao longo de sua vida. Em julho, ele foi visto por policiais em sua mansão no Joá, na zona Sudoeste do Rio, junto com um adolescente conhecido como “Menor Piu”, considerado braço direito do traficante Doca, um dos líderes do Comando Vermelho. Na abordagem, o rapper e mais oito pessoas xingaram e atacaram os agentes com pedras.

O jovem procurado pela polícia deixou de cumprir medidas socioeducativas em regime de semiliberdade e, ao ser colocado em uma das viaturas, fugiu após resistência dos amigos, inclusive de Oruam. O episódio gerou uma grande confusão, com pedras lançadas em direção ao carro dos agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).
Dessa maneira, Oruam entregou-se às forças policiais no dia seguinte, permanecendo preso até o dia 29 de setembro, quando teve sua prisão revogada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na decisão da corte, o ministro Joel Ilan Paciornik observou que o decreto de prisão preventiva teve fundamentação insuficiente, em princípio, para a imposição da segregação antecipada.
Assim, Oruam foi indiciado por sete crimes: tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal. De acordo com a Polícia Civil, ele teria impedido a apreensão de um menor procurado por roubo de carros e tráfico de drogas.
Em fevereiro deste ano, o artista também acabou preso quando as autoridades encontraram Yuri Pereira Gonçalves, procurado por participar de organização criminosa, dentro da sua casa, no Joá. Apesar disso, o rapper acabou liberado ao assinar um termo circunstanciado, comprometendo-se a comparecer ao Juizado Especial Criminal (Jecrim).