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Cinema e TV

Streaming recém-lançado, Tela Brasil resgata chanchadas de destaque da Atlântida. Saiba os detalhes do gênero!

Chanchadas feitas pela Atlântida marcaram época no cinema brasileiro
Vinicius FaustiniPor Vinicius Faustini3 de junho de 2026Atualizado:3 de junho de 2026
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Filmes realizados pela Atlântida (Foto: Divulgação)

O Governo Federal lançou na última semana um streaming gratuito dedicado exclusivamente a produções brasileiras. A Tela Brasil tem como objetivo divulgar obras que mostram a variedade do audiovisual do nosso país.

O catálogo do Tela Brasil inclui diversas fases do cinema brasileiro. Um dos períodos que o streaming mostra é o da Atlântida, na qual as chanchadas ganharam espaço nas telas do país.

O que eram as chanchadas, mostradas no Tela Brasil

“Carnaval No Fogo” adapta cena de “Romeu e Julieta” (Foto: Reprodução)

As chanchadas ganharam projeção no cinema brasileiro a partir da década de 1930. A expressão era utilizada para designar comédias musicais que misturavam elementos de filmes policiais e até mesmo de ficção científica.

As produções se tornaram bastante populares, por terem um humor ingênuo e, em algumas vezes, bastante malicioso. Por isto, caía com facilidade no gosto popular.

Com o passar dos anos, diretores também passaram a fazer sátiras com filmes de destaque do exterior e situações que estavam em evidência no cotidiano, como “Carnaval No Fogo”, de Watson Macedo (que em uma cena os comediantes Oscarito e Grande Otelo satirizam um diálogo da peça “Romeu e Julieta”) ,e “Matar Ou Correr” (de Carlos Manga, uma paródia do filme de faroeste “Matar Ou Morrer” lançado dois anos antes no exterior). Com isto, as comédias musicais eram aliados a gêneros como faroeste.

A estrutura narrativa era bem simples: trazia o mocinho e a mocinha envolvidos em apuros devido às artimanhas de um grande vilão, uma dupla cômica que os ajudava e, ao fim, o vilão se estrepava. Em alguns momentos, números musicais ganhavam espaço na tela. As chanchadas tiveram destaque no cinema brasileiro até o fim da década de 1950, quando perderam espaço devido ao desgaste do seu formato e à ascensão do Cinema Novo.

O que era a Atlântida: a ascensão definitiva das chanchadas

Abertura de um filme da Atlântida (Foto: Divulgação)

No início do século XX havia a ambição de construção de uma indústria de cinema brasileiro. Na época, oo país tinha ciclos independentes e realizadores importantes como Humberto Mauro, Mário Peixoto e Carmen Santos.

A Cinédia foi a primeira indústria a produzir chanchadas. Um de seus sucessos foi “Alô, Alô, Carnaval”, filme dirigido por Adhemar Gonzaga que abriu espaço para o comediante Oscarito e que tem números musicais com Carmen Miranda, Francisco Alves, Almirante, Dircinha Batista e as Irmãs Pagãs. O estúdio passou a fazer filmes voltados para serem exibidos no Carnaval e também para o meio do ano, adaptados de comédias populares.

Só que a consolidação das chanchadas ficou ainda mais extensa na década seguinte. Em 18 de setembro de 1941 foi fundada a Companhia Atlântida, da dupla Moacyr Fenelon e José Carlos Burle.

Os primeiros filmes eram mais voltados para um olhar de crítica social, como “Moleque Tião”, de 1943, obra de Alinor Azevedo estrelada por Grande Otelo e considerado o primeiro grande sucesso da Atlântida. Depois, vieram filmes como “É Proibido Sonhar”, de Moacyr Fenelon, e a comédia “Romance de Um Mordedor”.

Aos poucos, a chanchada passou a ganhar espaço na sua indústria, com filmes como “Tristezas Não Pagam Dívidas” e “Não Adianta Chorar”, até definitivamente alcançar sua popularidade.

As chanchadas de sucesso da Atlântida

Grande Otelo e Oscarito (Foto: Cinemateca Brasileira)

As chanchadas se tornaram verdadeiros fenômenos de bilheteria entre a população brasileira. Veja abaixo alguns dos filmes de grande projeção:

ESTE MUNDO É UM PANDEIRO (1947)

Um clássico das chanchadas, o filme de Watson Macedo apresenta um homem que, após levar uma pancada na cabeça, perde a memória e acha que é lutador de boxe. Um grupo de malandros tenta se aproveitar da situação e o escala para enfrentar um nome de ponta.

CARNAVAL NO FOGO (1949)

A trama da obra de Watson Macedo mostra a chegada de bandidos internacionais a um hotel luxuoso no qual tentarão assaltar turistas. Cabe a dois funcionários bastante atrapalhados lutarem para controlar a situação.

AVISO AOS NAVEGANTES (1950)

O filme de Watson Macedo mostra uma companhia teatral brasileira que retorna ao Brasil depois de uma série de apresentações em Buenos Aires. Uma dançarina desperta a paixão de dois colegas da companhia. Em paralelo, um homem viaja clandestinamente e é descoberto pelo cozinheiro do navio. E este sujeito que está no navio de maneira clandestina descobre que há um espião a bordo. Em meio a muitas loucuras, o cozinheiro e o clandestino tentam resolver a situação.

CARNAVAL ATLÂNTIDA (1952)

O filme de José Carlos Burle é considerada uma síntese das chanchadas. Trata-se de uma sátira a diversos filmes de Hollywood, em especial os dirigidos por Cecil B. de Mille (que inspira o personagem Cecil B. de Milho, interpretado por Renato Restier). A trama mostra uma tentativa de fazer “Helena de Troia”, mas que abre espaço para uma sucessão de esquetes e números musicais.

BARNABÉ, TU ÉS MEU (1952)

Dirigido por José Carlos Burle, o filme mostra o faxineiro atrapalhado Barnabé. Ao limpar um laboratório, ele carimba por engano uma estrela de Davi em sua mão. A partir daí, a princesa Zulema fica atraída por Barnabé, pois acha que ele é o herdeiro de Salomão e seu prometido.

NEM SANSÃO, NEM DALILA (1955)

O filme de Carlos Manga também traz uma sátira à brasileira de um destaque do exterior. Anos antes, Cecil B. de Mille havia lançado “Sansão e Dalila”. Porém, na versão tupiniquim, uma máquina do tempo transporta um barbeiro para o século IV a.C. Ao conhecer Sansão, dono de uma peruca que é responsável por fazer com que tenha uma força enorme, o barbeiro se torna o homem mais poderoso do reino e se envolve em várias trapalhadas.

MATAR OU CORRER (1955)

O faroeste ganhou as telas ao Brasil graças às chanchadas. Carlos Manga parodiou “Matar Ou Morrer”, de Fred Zinnermann, mas apresentando dois trapaceiros como protagonistas. Kid Bolha e Cisco Kada chegam a City Down levam a melhor acidentalmente sobre o temido bandido Jesse Gordon e são promovidos a xerifes. Porém, o malvado promete vingança.

DE VENTO EM POPA (1957)

A dupla sertaneja Chico e Mara deseja fazer um show no transatlântico que no qual está viajando. O engenheiro nuclear Sergio organiza uma apresentação no navio e convence a dupla a ajudá-los numa mentira que, se der certo, fará com que ele realize o sonho de abrir uma boate.

OS DOIS LADRÕES(1959)

Os enrolados ladrões Jonjica e Mão Leve se envolvem em um roubo. Porém, Mão Leve se arrepende ao saber que uma das vítimas é tia da noiva de seu irmão. A partir daí, a dupla tenta devolver as joias roubadas, que agora estão em poder de um perigoso receptador. O filme de Carlos Manga é marcado pela clássica cena na qual Oscarito e Eva Todor estão vestidos da mesma forma e se olham frente a frente.

Os astros das chanchadas da Atlântida

Cena de “Nem Sansão, Nem Dalila” (Foto: Divulgação)

As chanchadas ajudaram a promover nomes que ficaram para a história do cinema brasileiro de diversas formas. Porém, há artistas ficaram mais associados ao gênero, como Zezé Macedo, Eva Todor, Sônia Mamede, Ankito e Zé Trindade.

Oscarito

Oscarito em “Este Mundo É Um Pandeiro” (Foto: Cinemateca Brasileira)

Espanhol naturalizado brasileiro, Oscarito se tornou a figura clássica das chanchadas desde “Alô, Alô, Carnaval!”. Protagonizou clássicos como “Este Mundo É Um Pandeiro”, “Carnaval Atlântida”, “Carnaval No Fogo”, “Amei Um Bicheiro”, “Esse Milhão É Meu” e rendeu cenas hilariantes em especial na sua parceria com Grande Otelo. Além disto, fez ótimas parcerias com Zezé Macedo, Eva Todor e Jô Soares.

Grande Otelo

Cena de Grande Otelo em “Matar Ou Correr” (Foto: Divulgação)

Um dos gênios da cultura carioca, saiu dos palcos e ganhou as telas com as chanchadas. Muito expressivo, fez ótimas duplas com Oscarito e Ankito, e trabalhou desde “Moleque Tião” até “Carnaval No Fogo”, “Amei Um Bicheiro”, “Este Mundo É Um Pandeiro” e “Aviso Aos Navegantes”.

Cyll Farney

Cyll Farney em “Amei Um Bicheiro” (Foto: Cinemateca Brasileira)

Considerado um dos galãs da Atlântida, Cyll Farney trabalhou em diversas chanchadas no papel de mocinho. Além de estrelar “Os Dois Ladrões” com Oscarito, fez clássicos como “Barnabé, Tu És Meu”, “O Homem do Sputnik” e “De Vento em Popa”.

Anselmo Duarte

Anselmo Duarte com Eliana (Foto: Divulgação)

Antes de se tornar cineasta e levar “O Pagador de Promessas” a ganhar a Palma de Ouro em Cannes, Anselmo Duarte foi galã e chegou a fazer filmes na Atlântida. Ele foi um dos destaques de obras como “Carnaval No Fogo” e “Carnaval em Marte”.

Eliana

Eliana: atriz e cantoa (Foto: Cinemateca Brasileira)

Irmã do cineasta Watson Macedo, Eliana se projetou em “Carnaval No Fogo”, quando interpretou dois papéis diferentes. Em seguida, trabalhou em chanchadas como “Aí Vem O Barão”, “Aviso Aos Navegantes” e “Carnaval Atlântida”. Além disto, era cantora e fez sucesso ao lado de Adelaide Chiozzo ao interpretar “Beijinho Doce”.

Fada Santoro

Fada Santoro com Oscarito em “Nem Sansão, Nem Dalila” (Foto: Reprodução)

Fada Santoro foi uma das mocinhas das chanchadas. Esteve em clássicos do gênero como “Barnabé, Tu És Meu”, “Areias Ardentes” e “Nem Sansão, Nem Dalila”.

Adelaide Chiozzo

Adelaide Chiozzo e Eliana em cena (Foto: Divulgação)

Um dos ícones musicais das chanchadas, Adelaide Chiozzo se popularizou quando entoou “Beijinho Doce” ao lado de Eliana no filme “Aviso Aos Navegantes”. Atuou em diversos filmes, como “Aí Vem O Barão”, “É Fogo Na Roupa” e “Carnaval No Fogo”.

José Lewgoy

José Lewgoy em “Matar Ou Correr” (Foto: Reprodução)

José Lewgoy ficou eternizado como o grande vilão das chanchadas da Atlântida. Sempre fazia os bandidos ou trapaceiros que acabava enrolado pelos comediantes nos filmes. Ganhou projeção em filmes como “Carnaval Atlântida”, “Carnaval No Fogo” e “Matar Ou Correr”.

Renato Restier

Renato Restier em cena (Foto: Reprodução)

O ator Renato Restier também se notabilizou por fazer personagens malvados em filmes da Atlântida. Ele esteve nas tramas de “Barnabé, Tu És Meu”, “Matar Ou Correr” e “O Golpe”.

Chanchadas e filmes da Atlântida que estão disponíveis na Tela Brasil

A Tela Brasil começou a funcionar no dia 30 de maio. E há alguns títulos disponibilizados gratuitamente para o público.

Carnaval Atlântida

Oscarito em “Carnaval Atlântida” (Foto: Cinemateca Brasileira)

“Carnaval Atlântida” está à disposição dos espectadores. A trama tem no elenco Oscarito como o Professor Xenofontes, especialista em mitologia grega designado para dar consultoria a uma filmagem de “Helena de Tróia”. O elenco ainda traz Eliana, Renato Restier, Cyll Farney e Grande Otelo.

Amei Um Bicheiro

Embora seja da mesma época das chanchadas, “Amei Um Bicheiro” foge do gênero. Trata-se de um filme policial que fala abertamente sobre o jogo do bicho. Um homem que foi envolvido com a contravenção sai da cadeia disposto a mudar de vida. Mas, como a esposa precisa fazer uma cirurgia, tem de voltar à sua antiga atividade.

O Homem do Sputnik

Oscarito e Zezé Macedo (Foto: Divulgação)

Outra clássica chanchada da Atlândida. Um homem simples pensa que o satélite Sputnik caiu em seu galinheiro, a notícia se espalha e ele passa a ser perseguido por pessoas de diversas nacionalidades, incluindo um espião americano (interpretado por Jô Soares) e a misteriosa B.B. (feita por Norma Bengell). O elenco traz Oscarito, Zezé Macedo, Cyll Farney e Abel Pêra.

Rio de Janeiro - RJ
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