
O cinema brasileiro perdeu nesta quarta-feira um de seus expoentes. Luiz Carlos Barreto saiu de cena aos 98 anos, deixando um vastíssimo legado como produtor, diretor e fotógrafo.
Barretão estava com a saúde debilitada desde março de 2024, quando sofreu uma queda visitando seu estado natal, o Ceará, para uma homenagem. Ele estava internado desde a última terça-feira.
Luiz Carlos Barreto e seu trabalho como fotógrafo

Luiz Carlos Barreto iniciou sua trajetória na sétima arte ao lado de gênios do Cinema Novo. O Barretão trabalhou como fotógrafo em filmes emblemáticos do movimento, como “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos, e “Terra Em Transe”, de Glauber Rocha.
Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto: o “Casal Audiovisual”

Ao lado de sua esposa Lucy Barreto, Luiz Carlos Barreto formou o “Casal Audiovisual” e ajudou a escrever boa parte da história do cinema brasileiro. A L.C. Barreto Produções Cinematográficas, fundada em maio de 1963, produziu clássicos como “Garrincha – Alegria do Povo” e “O Padre e A Moça”, de Joaquim Pedro de Andrade, “A Grande Cidade” e “Os Herdeiros”, de Cacá Diegues, “Brasil Ano 2000”, de Walter Lima Júnior, “Terra Em Transe” e “O Dragão da Maldade Contra O Santo Guerreiro”, de Glauber Rocha”, “Como Era Gostoso O Meu Francês” e “Azyllo Muito Louco”, de Nelson Pereira dos Santos.
Também produziu clássicos como “Bye, Bye, Brasil”, de Cacá Diegues, e “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, de Bruno Barreto.
Lucy e Luiz Carlos Barreto promoveram marco para atrizes

Duas produções promoveram estreias de atrizes no cinema. “Índia, A Filha do Sol”, de Fábio Barreto, é o primeiro filme de Glória Pires. “Inocência”, de Walter Lima Júnior, traz o primeiro trabalho de Fernanda Torres nas telas. A atriz, posteriormente, foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz e recebeu um Globo de Ouro por sua atuação em “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles.
Lucy e Luiz Carlos Barreto levaram o Brasil ao Oscar

Como produtor, Luiz Carlos Barreto, ao lado de sua esposa Lucy, levou o Brasil ao Oscar duas vezes. A primeira foi com “O Quatrilho”. O filme de Fábio Barreto colocou o país entre os concorrentes à estatueta de Melhor Filme Estrangeiro, o que não acontecia desde 1963.

Em 1998, “O Que É Isso, Companheiro?”, de Bruno Barreto, foi mais um filme produzido por Lucy e Luiz Carlos Barreto indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Luiz Carlos Barreto teve forte ligação com o futebol

Luiz Carlos Barreto teve vasta ligação com o futebol. Ele dirigiu, ao lado de Eduardo Escorel, o documentário “Isto É Pelé”. Além disto, produziu o documentário “Garrincha – Alegria do Povo”, de Joaquim Pedro de Andrade”.
Sua produtora ficou à frente de “Uma Aventura do Zico”, de Antônio Carlos da Fontoura, no qual Zico trabalhou como ator, e Felipe Adão (neto do Barretão e filho do ex-jogador Claudio Adão) estava no elenco. Ainda foi diretor da série “5x Brasil”, exibida no Globoplay, e produtor da série “O Negro No Futebol Brasileiro”, que foi exibida na HBO. Além disto, foi torcedor do Flamengo, clube no qual atuou nas categorias de base.
De tema de documentário a filme ainda por chegar ao circuito

Posteriormente, ajudou a rodar filmes como “A Paixão de Jacobina” e “Lula, O Filho do Brasil”, de Fábio Barreto, “Bossa Nova”, de Bruno Barreto, e “Caminho das Nuvens”, de Vicente Amorim.
Sua produtora tambem rodou “Deus Ainda É Brasileiro”, filme ainda inédito de Cacá Diegues. Luiz Carlos Barreto ainda foi tema do documentário “Barretão”, lançado por Marcelo Santiago em 2019.
O realizador transmitiu para seus filhos a paixão para o cinema. Seus filhos são os cineastas Fábio Barreto (diretor também de filmes como “O Rei do Rio”, “Luzia Homem” e “Bella Donna” e que morreu em 20 de novembro 2019, aos 62 anos) e Bruno Barreto, que fez obras como “Amor Bandido”, “Além da Paixão”, “O Casamento de Romeu e Julieta” e “Traição Entre Amigas”, e a produtora e cineasta Paula Barreto.
Sua neta Júlia Barreto também é cineasta. De acordo com o colunista Lauro Jardim, ela se dedica a “Barreto Em Transe”, uma série documental voltada para falar sobre a obra do avô.