
Mais um filme com projeção em festivais está para chegar ao circuito comercial nesta semana. Além de “Pequenas Criaturas”, esta quinta-feira marca a estreia de “Futuro Futuro”.
Dirigido por Davi Pretto, “Futuro Futuro” é rodado no Rio Grande do Sul, e combina ficção científica, questões ambientais, a crise da imagem e as desigualdades sociais em uma narrativa ambientada em um futuro próximo.
“Futuro Futuro” lidou com situação difícil
“Futuro Futuro” passou por uma situação inusitada durante seus bastidores. A obra de Davi Pretto foi rodad em apenas 16 dias em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
A produção teve suas filmagens interrompidas por meses devido à maior enchente da história do estado, ocorrida em maio de 2024. Diante disto, um filme distópico se deparou com uma distopia real inimaginável. Depois que a enchente inundou locações que ainda fariam parte das filmagens, e diante de recursos escassos para concluir as diárias, o cineasta Davi Pretto decidiu incorporar radicalmente imagens de inteligência artificial, tanto como o elemento distópico previsto na história, quanto como uma solução para terminar o filme.
“Futuro Futuro” usa elementos de Inteligência Artificial

O cineasta Davi Pretto optou por incluir imagens de Inteligência Artificial no decorrer de “Futuro Futuro”. O intuiro foi refletir sobre os riscos dessa tecnologia é um gesto necessário para investigar essa tecnologia:
– Qualquer alternativa para conter os avanços da IA infelizmente não recai sobre decisões individuais em não usá-la. Estamos falando de uma tecnologia que atualmente 7 em 10 brasileiros afirmam usar diariamente. Há ainda um medo crescente de quem não usa acabar ficando para trás no mercado de trabalho, isso é sabido. Pensar que a responsabilidade está no indivíduo é uma distração similar ao conceito da pegada individual de carbono, criado como campanha de marketing de uma gigante empresa de petróleo para desviar o real debate do climático. Data centers de bilhões de reais para treinar IAs são criados anualmente no Brasil com incentivo e apoio dos governos locais e federal. Muitos desses data centers não divulgam para quais plataformas IA elas prestam serviço. Se há ainda alternativas, é através de grandes organizações coletivas – disse, ressaltando:
-“Futuro Futuro” reflete sobre os perigos cognitivos e políticos dos avanços da inteligência artificial, tecnologia que tem mudado o mundo do trabalho, das relações sociais e alterado a nossa percepção do que é real e o que não é. Ao mesmo tempo, se debruça sobre os desafios e limitações do próprio fazer cinema independente em um mundo transformado por catástrofes climáticas constantes e por imagens artificiais que redefinem radicalmente nosso olhar e nosso imaginário – completou.
“Futuro Futuro” recebeu prêmios no Festival de Brasília

“Futuro Futuro” recebeu quatro Candangos no Festival de Cinema de Brasília: Melhor Longa-Metragem, Melhor Roteiro, Melhor Montagem e Menção Honrosa (para José Maria Pescador, ator que interpreta K, protagonista do filme).