
A noite deste sábado marcou a divulgação dos vencedores do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários. Tradicionalmente, há competições de documentários brasileiros e internacionais.
O É Tudo Verdade definiu que “Sagrado”, de Alice Riff, foi eleito o vitorioso na Competição Brasileira de Longas ou Médias-Metragens. “Um Filme de Medo” venceu a Competição Internacional. A coprodução entre Espanha e Lisboa é feita pelo diretor brasileiro sediado na Espanha Sergio Oksman. Os filmes serão reapresentados neste domingo (veja ao fim da reportagem).
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“Sagrado” ganha projeção no É Tudo Verdade, e documentário sobre Baby do Brasil tem reconhecimento

“Sagrado”, de Alice Riff, se consagrou como o vencedor na Competição Brasileira de Longas ou Médias-Metragens. O filme aborda a rotina de professores e funcionários de uma escola pública em Diadema, na Grande São Paulo.
O júri destacou o que foi decisivo para a vitória de “Sagrado”, que ainda recebeu R$ 20 mil da organização do É Tudo Verdade:
“Por afirmar, com rara precisão, um cinema em que a política se inscreve na forma, no gesto e nas relações do cotidiano. Sem recorrer a artifícios, o filme sustenta, do título ao último plano, uma direção segura, rigorosa e profundamente consciente de seus meios. Ao escolher uma estratégia narrativa fundada na escuta, na observação e no respeito radical aos seus personagens, constrói uma experiência em que o invisível se torna presença sensível” – e reforçou:
“A partir de um material de arquivo que prescinde de explicação, o filme se organiza em espiral até alcançar um plano-sequência final de grande potência, conduzido pelas vozes das crianças. Nesse gesto, simples apenas na aparência, o filme se afirma como uma obra de rara integridade, em que elaboração estética e potência política são indissociáveis. E afirma, com delicadeza e rigor, um cinema onde invenção, poesia e luta se tornam indissociáveis” .

Outro filme recebeu Menção Honrosa. Trata-se de “Apopcalipse Segundo Baby”, documentário de Rafael Saar sobre a trajetória de Baby do Brasil. O júri exaltou:
“Por articular, de forma visceral e autêntica, a personalidade da protagonista e sua persona performática, incorporando à própria forma do filme sua força, energia e pulsação. Ao evocar a memória da música popular brasileira, o filme constrói um retrato fiel e vibrante, que preserva a originalidade da personagem e revela um trabalho rigoroso de pesquisa e elaboração. No uso dos materiais de arquivo, evidencia-se o rigor, o cuidado e o profundo respeito do realizador”.
Produção pernambucana vence Melhor Curta no É Tudo Verdade

“Os Arcos Dourados de Olinda” venceu o prêmio É Tudo Verdade de Melhor Curta-Metragem. Dirigido por Douglas Henrique, o curta recebeu R$ 6 mil, e teve sua premiação justificada da seguinte forma:
“Pela irreverência e pelo humor na construção de uma narrativa lúdica que surpreende ao reinventar o uso do material de arquivo. Ao transfigurá-lo com liberdade e invenção, o filme constrói uma crítica ao imperialismo ao mesmo tempo afiada e desarmada, que assume sem receio o popular, o clichê e as contradições da própria identidade”, afirmou o júri.

Na mesma categoria, “Filme-Copacabana”, de Sofia Leão, recebeu Menção Honrosa na categoria “pela ousadia da proposta e pelo uso inventivo do som como eixo de montagem, articulando afetos e corpos na construção de um retrato sensível de um território múltiplo”.

“Divino, Sua Alma, Sua Lente”, de Clea Torres e Gilson Costta, recebeu Menção Honrosa “força singular de Divino em cena e pela maneira como transforma o gesto de filmar em um ato de memória e permanência. Ao incorporar o próprio processo à narrativa, o filme revela uma reflexão viva sobre imagem, tempo e continuidade”.
O júri da competição brasileira foi composto pela documentarista e montadora Carol Benjamin, pelo diretor Eryk Rocha e pela pesquisadora e cineasta Helena Tassara.
Os jurados escreveram ao divulgar os premiados:
“O júri brasileiro destaca a força e a vitalidade dos filmes em competição na seleção de 2026, tanto nos longas quanto nos curtas. O conjunto das obras desenha um panorama pulsante do documentário brasileiro contemporâneo, em que formas e narrativas se reinventam com rigor, liberdade e risco. São filmes atravessados por gestos autorais contundentes, que afirmam, na pluralidade de perspectivas, a potência criadora de um cinema em permanente transformação. Desse campo de tensões emerge um cinema múltiplo, indisciplinado e profundamente comprometido com seu tempo”, afirmaram.
“Um Filme de Medo” se consagra na Mostra Internacional

A Competição Internacional de Longas ou Médias-Metragens foi vencida por “Um Filme de Medo”. A coprodução entre Espanha e Portugal tem um diretor brasileiro sediado na Espanha Sergio Oksman. A história traz Oskman, que se hospedou com o filho de doze anos em um hotel em Lisboa parecido com aquele abandonado do clássico “O Iluminado”, de Stanley Kubrick. O filme recebe um prêmio de R$ 12 mil.
O júri afirmou que o documentário ambienta-se”em um filme de terror, não há monstros, apenas a distância entre dois mundos, pai e filho. O pai tem medo de herdar os fantasmas do passado, e o filho caminha leve, quase sem sombra”.
Houve menção honrosa para “Meu Pai e Gaddafi”, de Jihan, O júri apontou que “a partir da busca da filha por seu pai, somos conduzidos a conhecer as tramas de poder em um país atravessado pelo conflito”.
Trama sobre blecautes de Cuba leva prêmio de Melhor Curta Internacional no É Tudo Verdade

O prêmio de Melhor Curta Internacional foi “Sonhos de Ade Gabriele Licchelli, Francesco Lorusso e Andrea Settembrini, sobre os blecautes em Cuba. O filme recebe ainda R$ 6 mil.
O júri do É Tudo Verdade apontou que o curta mostra “uma sociedade agredida através do tempo e como viver com infindáveis boicotes. A ausência de energia elétrica na ilha se transforma em um recurso expressivo e cinematográfico”.
Na categoria, houve menção honrosa ao francês “Se Não Gostar, Não Olhe”, da diretora estreante Margaux Fournier. O júri apontou que “na areia, sob o céu aberto, mulheres aposentadas e irreverentes se encontram com frequência, transbordando amor pela vida. Falam sem filtro, sinceras, diretas, vivas. Um cinema da intimidade onde o corpo é político”.
É Tudo Verdade reapresenta os vencedores no Rio e em São Paulo

Neste domingo, o Festival É Tudo Verdade reapresenta tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro os filmes que venceram o tradicional evento. Veja os locais e horários:
SERVIÇO
31º É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários
Exibição dos filmes premiados:
São Paulo
DOMINGO, 19 de abril
16h
Sonhos de Apagão | Blackout Dreams | Sueña Ahora
Dir. Gabriele Licchelli, Francesco Lorusso, Andrea Settembrini
Cuba, Itália; 20’; 2025
Um Filme de Medo | A Scary Movie | Una Película de Miedo
Dir. Sergio Oksman
Espanha, Portugal; 72′; 2025
18h
Os Arcos Dourados de Olinda | Olinda’s Golden Arches
Dir. Douglas Henrique
Brasil; 24’; 2025
Sagrado | Sacred
Dir. Alice Riff
Brasil; 90′; 2026
CINEMATECA BRASILEIRA
Sala Grande Otelo – 208 lugares
Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino
Rio de Janeiro
DOMINGO, 19 de abril
15h
Sonhos de Apagão | Blackout Dreams | Sueña Ahora
Dir. Gabriele Licchelli, Francesco Lorusso, Andrea Settembrini
Cuba, Itália; 20’; 2025
Um Filme de Medo | A Scary Movie | Una Película de Miedo
Dir. Sergio Oksman
Espanha, Portugal; 72′; 2025
17h30
Os Arcos Dourados de Olinda | Olinda’s Golden Arches
Dir. Douglas Henrique
Brasil; 24’; 2025
Sagrado | Sacred
Dir. Alice Riff
Brasil; 90′; 2026
ESTAÇÃO NET RIO
Sala 5 – 107 lugares
Rua Voluntários da Pátria, 35, Botafogo