
A semana marcou a estreia de “A Fúria”, novo filme de Ruy Guerra que está exclusivamente nos cinemas. Moçambicano radicado no Brasil há mais de 60 anos, o cineasta tem uma trajetória bastante reconhecida nas telas.
Um dos integrantes do Cinema Novo, Ruy Guerra tem uma filmografia repleta de clássicos feitos no Brasil. Veja abaixo quais são os filmes fundamentais do diretor. A mais recente, “A Fúria”, traz Ricardo Blat como Mário (papel que em “Os Fuzis” e “A Queda” foi interpretado por Nelson Xavier) e um elenco que tem nomes como Lima Duarte, Daniel Filho, Grace Passô, Simone Spoladore e Paulo Cesar Pereio.
“Os Cafajestes” (1962) – primeiro filme de Ruy Guerra no Brasil

Ruy Guerra é um dos cineastas que ganharam projeção no Cinema Novo. O movimento inclui diretores como Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Roberto Farias, Cacá Diegues, Leon Hirszman e Roberto Pires e trouxe um novo olhar sobre fazer cinema no Brasil: a partir do lema “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, sua estética buscava o realismo e crueza, se assemelhando à Nouvelle Vague.
Seu primeiro filme no Brasil foi “Os Cafajestes”. Com Jece Valadão e Daniel Filho, a trama mostra um Jandir, um homem pobre e Vavá, um playboy que descobre que sua família está à beira da falência. Vavá convence seu amigo a ajudá-lo a aplicar um golpe, chantageando seu tio ao tirar fotos comprometedoras da amante dele. A obra de Ruy Guerra lidou com problemas com a Censura e fala muito sobre vícios e picaretagem da classe média carioca.
“Os Cafajestes” entrou para a história, pois Norma Bengell foi a primeira mulher a fazer uma cena de nu frontal no cinema brasileiro. O filme ainda traz Glauce Rocha e Hugo Carvana no seu elenco.
Onde assistir: Não disponível
“Os Fuzis” (1964): primeiro filme de uma trilogia de Ruy Guerra

Primeiro ato da trilogia que é encerrada com “A Fúria”, “Os Fuzis” volta-se para a controvérsia do poder. A trama volta-se para a chegada de um grupo de soldados ao Sertão da Bahia. O objetivo é que eles mantenham a ordem e evitem que os moradores roubem as mercadorias da mercearia da região.
O grupo se vê dividido entre cumprir as ordens e lidar com a miséria do local. Nelson Xavier faz o papel de Mário. O elenco ainda tem Paulo César Pereio, Hugo Carvana, Maria Gladys e Átila Iório. “Os Fuzis” foi premiado com o Urso de Prata de Prêmio Extraordinário do Júri.
Onde assistir: Globosat Play
“Os Deuses e Os Mortos” (1970): psicodelia e violência na tela

No ano de 1970, Ruy Guerra apresentou “Os Deuses e Os Mortos”. Repleto de metáforas e um tom psicodélico, o filme ambientado na década de 1930 apresenta o Homem Sem Nome, figura que se envolve na briga entre dois coronéis.
Considerado bastante forte, o filme é calcado na psicodelia. O elenco traz frandes nomes, como Othon Bastos, Norma Bengell, Dina Sfat, Ítala Nandi, Nelson Xavier e os cantores Milton Nascimento e Monsueto.
Onde assistir: YouTube
“A Queda”: segundo filme de trilogia de Ruy Guerra

“Os Fuzis”, de 1964, ganhou uma sequência na década posterior. Em 1978 chegou aos cinemas “A Queda”, parceria de Ruy Guerra com Nelson Xavier.
Nelson voltou a interpretar Mário. Desta vez a trama foi ambientada em uma metrópole, e o ponto de partida do filme é a morte de um operário ao cair de um andaime nas obras do metrô na qual trabalhava sem condições. A história aborda a pobreza, a precarização do trabalho e também os dilemas em torno da negligência.
Lima Duarte (como o ambíguo Salatiel), Isabel Ribeiro, Hugo Carvana, Maria Silvia e Roberto Frota. Em “A Queda”, Ruy Guerra ainda recorre a uma situação curiosa: utiliza algumas imagens de “Os Fuzis” no decorrer da história. O filme recebeu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Berlim.
Onde assistir: YouTube
Erêndira (1983): parceria com Gabriel García Márquez

Em 1983, o cineasta adaptou a obra de um amigo e de um dos grandes autores da literatura: Gabriel García Márquez. Coprodução entre México, Portugal e Alemanha Ocidental, “Erêndira” é baseado no conto “A Incrível e Triste História da Cândida Erêndira e da Sua Avó Desalmada”,
“Gabo” fez o roteiro do filme de Ruy Guerra reescrevendo a história que tem tons de realismo mágico. A trama conta a história de Erêndira, que em um incêndio acidental fez a casa na qual morava com sua avó Irene pegasse fogo. A avó então a obriga a jovem a prostituir para pagar a dívida.
Claudia Ohana é a protagonista. O elenco traz atores de diversas nacionalidades, como Irene Papas, Michael Lonsdale e Oliver Wehe estão no elenco.
Onde assistir: YouTube
Ópera do Malandro (1986): parceria entre Ruy e Chico no cinema

Parceiros na música e no teatro, Ruy Guerra e Chico Buarque também estiveram juntos no cinema. Em 1986, o cineasta adaptou para as telas “Ópera do Malandro”, musical bem-sucedido do cantor e compositor.
A versão cinematográfica trouxe muitos ajustes, desde o elenco até o nome de alguns personagens. O filme é ambientado em 1942, em meio à Segunda Guerra Mundial. Típico malandro da Lapa, Max Overseas explora Margot, uma cantora de cabaré. Sua vida tem uma reviravolta quando conhece Ludmila, a ambiciosa filha de Otto Von Strudel, o dono do cabaré.
O trio central é formado por Edson Celulari, Elba Ramalho e Claudia Ohana. O elenco ainda tem Ney Latorraca, Fabio Sabag e Wilson Grey. Na tela, há músicas que foram feitas por Chico Buarque para a peça original, como “Pedaço de Mim”, “Tango do Covil”, “Hino de Duran” (“rebatizado” de “Hino da Repressão”), “Viver do Amor” e “Uma Canção Desnaturada”. Porém, o cantor e compositor fez canções sob medida para a versão cinematográfica de “Ópera do Malandro”, caso de “A Volta do Malandro”, “Las Muchachas de Copacabana”, “Aquela Mulher”, “O Último Blues”, “Palavra de Mulher” e “Sentimental”.
Onde assistir: YouTube
“A Bela Palomera” (1987): nova parceria com “Gabo”

A parceria entre Ruy Guerra e Gabriel García Márquez teve novo capítulo em 1987, com a coprodução entre Brasil e Espanha “A Bela Palomera”. Inspirada no conto “A Fábula da Bela Palomera”, a trama mostra a história de dois amantes. De um lado, o conquistador barato e rico Orestes, que tem um amor obsessivo por Fúlvia, mulher casada com um caiçara e criadora de pombos-correio. Os pombos fazem a comunicação entre o casal.
Ney Latorraca, Claudia Ohana, Tônia Carrero, Chico Diaz e Cecil Thiré também estão no elenco.
Onde assistir: YouTube
“Kuarup”: Adaptação de romance de Antônio Callado

Ruy Guerra transpôs para a tela “Quarup”, livro de Antônio Callado. Ambientada na década de 1950, a obra mostra a saga de um missionário do Alto Xingu que deixa o sacerdócio para se tornar um indigenista. Em seguida, ele se envolve na luta contra o Regime Militar.
Taumaturgo Ferreira faz o papel-título. O filme ainda tem Fernanda Torres, Claudia Raia, Maitê Proença, Sergio Mamberti, Lucélia Santos e Claudia Ohana.
Onde assistir: YouTube
“Estorvo” (2000): Ruy Guerra “reencontra” Chico Buarque

Ruy Guerra voltou a adentrar a obra de Chico Buarque de maneira ousada em 2000. Ele adaptou para as telas “Estorvo”, considerado um livro de “atmosfera paranoica e onírica”.
Com Jorge Perugorría no papel principal, “Estorvo” mostra um sujeito que passa o dia sob tensão. Ele despertou com um homem estranho que tocou na campainha de sua porta. Tenso, passa a vagar pela cidade com muita tensão.
O elenco ainda tem Bianca Byington e Susana Ribeiro. A trilha é de Egberto Gismonti.
Onde assistir: YouTube
“O Veneno da Madrugada” (2005): nova adaptação de “Gabo”

Ruy Guerra mergulhou na obra de Gabriel García Márquez mais uma vez em “O Veneno da Madrugada”. Inspirado no livro “A Má Hora”, o filme mostra 24 horas da vida de uma cidade na qual há conflitos entre as famílias poderosas e autoridades.
Aos poucos, os desdobramentos ficam ainda mais pesados: alguém começa a colar nas portas das casas cartas que revelam os segredos que parte da cidade já conhece, mas ninguém ousava revelar em público. O elenco traz Leonardo Medeiros, Juliana Carneiro da Cunha, Zózimo Bulbul, Amir Haddad, Dani Barros, Fábio Sabag, Emilio de Mello e Tonico Pereira.
Onde assistir: Não disponível
“Quase Memória” (2018): adaptação de Cony para as telas

O diretor também levou para as telas outro autor de destaque: Carlos Heitor Cony. Trata-se da adaptação do best-seller “Quase Memória”, que teve sua versão cinematográfica chegando ao circuito em 2018.
A história mostra o jornalista Carlos se reencontrando com sua versão mais jovem. O filme é cercado de lembranças afetivas e de encontros de vida. Tony Ramos, Charles Fricks, João Miguel, Mariana Ximenes, Antônio Pedro e Julio Adrião estão no elenco.
Onde assistir: YouTube
“Aos Pedaços” (2025): filme psicológico

“Um dia, Eurico Cruz” acordou de mau humor”. A partir desta frase, Ruy Guerra criou a trama de “Aos Pedaços”, história de um homem que mantém dois relacionamentos secretos ao mesmo tempo: com Ana e Anna (uma na praia e outra no deserto).
Após receber um bilhete enigmático, Eurico passa a desconfiar que vai ser assassinado. O elenco traz Emilio de Mello, Simone Spoladore, Christiana Ubach e Julio Adrião.
Onde assistir: Globoplay