
Um dos cineastas mais emblemáticos de São Paulo terá sua trajetória resgatada em um evento especial. Tem início nesta quarta-feira a Mostra de Cinema Toni Venturi.
O evento é dedicado à obra do diretor, roteirista e produtor paulistano Toni Venturi que morreu em maio de 2024, aos 68 anos, e deixou um legado marcado pelo diálogo com as questões políticas, sociais e culturais do país.
Toni Venturi

Nascido em São Paulo em 1955, Toni Venturi fundou, ainda adolescente, o cineclube do Colégio Estadual Vocacional Oswaldo Aranha e formou-se em cinema no Canadá e na USP.
Seu primeiro longa-metragem marcou época: “O Velho – A História de Luís Carlos Prestes”, de 1997, foi eleito melhor documentário na segunda edição do festival É Tudo Verdade.
Já “Latitude Zero”, sua estreia na ficção em longa-metragem em 2001,, foi selecionado para a mostra Panorama do Festival de Berlim e para o Festival de Toronto. Ao longo da carreira, seus filmes receberam 68 prêmios em festivais no Brasil e no exterior.
“A Mostra Toni Venturi nasce do desejo de celebrar o cinema, discutindo o seu tempo. O talento de Toni constrói imagens, tanto na ficção quanto no documentário, profundamente captadas com a luz do seu quintal: o Brasil, com seus contrastes, suas humanidades e suas contradições”, aponta Débora Duboc, diretora geral da mostra. Atriz e viúva do cineasta, Débora completa: “Toni queria se aproximar da educação, compartilhar seu conhecimento e emancipar jovens por meio dessa linguagem capaz de fotografar a nossa complexidade. Amigos, família, filhotes, parceiros de caminhada se juntaram para realizar esse desejo”.
Programação da homenagem a Toni Venturi terá presenças luxuosas

As sessões acontecem no Museu da Imagem e do Som (MIS-SP), de 27 de outubro a 1º de novembro, e no Cine-Teatro Denoy de Oliveira, no CPC-UMES, de 2 a 7 de novembro.
Serão exibidos 15 títulos: os nove longas-metragens dirigidos por Toni Venturi. São quatro ficções e cinco documentários, além de médias-metragens, telefilmes, um curta e três episódios da série documental “Jogo em Cena” (2026). Todas as projeções são seguidas de debates com realizadores, artistas, pesquisadores e personagens dos filmes, e parte da programação é dedicada a sessões para escolas. Amir Labaki, Drauzio Varella, Jonas Bloch, Rita Cadillac, Sidney Santiago e Tata Amaral estarão entre os participantes dos encontros.
Abertura terá exibição de filme exibido em Berlim

A abertura será no dia 27 de outubro, às 18h30, no auditório do MIS, e trará a exibição de “Latitude Zero”. Baseada na peça de Fernando Bonassi, a obra mostra uma história de amor em um garimpo no extremo norte do Brasil.
Após a exibição, acontecerá o debate “Toni Venturi: um cineasta do seu tempo” e de coquetel com pocket show de Fernanda Porto, parceira de longa data do diretor e autora da trilha de “Cabra-Cega”. O encerramento, no dia 7 de novembro, no CPC-UMES, reunirá o curta “1999” (de 1992), um dos primeiros trabalhos de Toni, e os telefilmes “Sotaque Nordestino” e “Pernambuco – Raiz Antenada pro Mundo”, ambos de 2004, com nova apresentação de Fernanda Porto.
Débora Duboc fala sobre mostra gratuita

Diretora da mostra, Débora Duboc fala sobre a importância de resgatar a obra de Toni Venturi:
-A Mostra Toni Venturi nasce do desejo de celebrar o cinema, discutindo o seu tempo. O talento de Toni constrói imagens, tanto na ficção quanto no documentário, profundamente captadas com a luz do seu quintal: o Brasil, com seus contrastes, suas humanidades e suas contradições.
A atriz e viúva do cineasta conta como era o estilo de trabalho de Toni Venturi:
-Toni queria se aproximar da educação, compartilhar seu conhecimento e emancipar jovens por meio dessa linguagem capaz de fotografar a nossa complexidade. Amigos, família, filhotes, parceiros de caminhada se juntaram para realizar esse desejo – disse.
Venturi dirigiu “Estamos Juntos” (2011), “A Comédia Divina” (2017) e “Dentro da Minha Pele” (2020). Também fez documentários dedicados a personagens e temas fundamentais da história brasileira, como Paulo Freire, a experiência dos Ginásios Vocacionais, a luta armada contra a ditadura e o movimento por moradia no centro de São Paulo. Além disto, foi presidente da Associação Paulista de Cineastas (APACI), participou de articulações importantes para o setor audiovisual e esteve entre os profissionais que contribuíram para a criação da Spcine, empresa pública voltada ao audiovisual na capital paulista.
A programação completa está aqui, no site da produtora.
Mais do que uma retrospectiva, a Mostra de Cinema Toni Venturi propõe um reencontro com uma obra que permanece atual e com um cineasta que fez do cinema uma ferramenta de reflexão sobre o Brasil. Ao levar seus filmes a diferentes públicos, o projeto contribui para preservar sua memória e reafirmar a importância de sua produção para a história do audiovisual brasileiro.