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Cinema e TV

Adeus, Nilton Travesso! Lembre 10 momentos emblemáticos nos quais o pioneiro da televisão trabalhou

Histórico nome da TV, Nilton Travesso deixa um vasto legado de programas
Vinicius FaustiniPor Vinicius Faustini6 de novembro de 2026Atualizado:6 de novembro de 2026
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Nilton Travesso morreu aos 92 anos (Foto: Reprodução)

Um dos nomes que ajudaram a escrever a história da televisão brasileira morreu nesta sexta-feira. O diretor Nilton Travesso morreu aos 92 anos, em São Paulo. A informação foi confirmada por amigos e por nota enviada pelo SBT, emissora pela qual passou três vezes. Nilton foi vítima de uma infecção generalizada.

Nilton Travesso teve mais de sete décadas de trabalho dedicadas à televisão. O icônico diretor participou de diversos programas que marcaram época.

O legado de Nilton Travesso

Nilton Travesso iniciou sua trajetória na década de 1950, na TV Record. Na época, ajudou a revolucionar a programação da emissora, que se popularizou com programas musicais e humorísticos, como “Essa Noite Se Improvisa” e ‘O Show do Dia 7″.

Também deixou sua marca em duas emissoras. Na Manchete e no SBT, teve passagens de sucesso como diretor de novelas e de programas infantis.

Já na Rede Globo, onde trabalhou em programas de diversos estilos. Além da revista eletrônica “Fantástico”, dirigiu novelas como “Sinhá Moça” e “Direito de Amar” e o “Mais Você”.

No rádio, foi responsável por organizar a Jovem Pan Online em 2007, consoldando sua amizade de 70 anos com Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o Seo Tuta. A iniciativa ajudou a recuperar parte do acervo da rádio. Os dois também tinham o podcast “Diretores Em Cena”.

Nilton Travesso e a parceria com Ronnie Von

Nilton Travesso teve em meio à sua trajetória a parceria com Ronnie Von. Logo após ser um dos criadores da elogiada “Equipe A”, uma das primeiras atrações que dirigiu foi “O Pequeno Mundo de Ronnie Von”, programa musical que ajudou a consagrar o intérprete de músicas como “Meu Bem” e “A Praça” e popularizou seu apelido de Príncipe.

Os dois se reencontraram em 2016, na TV Gazeta. Nilton Travesso dirigiu por alguns anos “Todo Seu”, programa de entrevistas que tem como âncora Ronnie Von.

Nilton Travesso ajudou a formar atores

O diretor Nilton Travesso também foi essencial para a trajetória de artistas. Em São Paulo, funciona a Oficina de Atores Nilton Travesso, com cursos para a formação profissional, interpretação e expressão.

A oficina existe desde 2001 no bairro de Pinheiros.

Veja 10 momentos marcantes de Nilton Travesso na televisão

Um dos pioneiros da televisão, Nilton Travesso deixou sua marca em todos os lugares pelos quais passou. E não faltam programas que são associados ao diretor e criador. Veja alguns momentos simbólicos.

O Fino da Bossa

Jair Rodrigues e Elis Regina: apresentações no programa renderam discos (Foto: Acervo / Record)

No embalo do sucesso da Bossa Nova, a Record lançou “O Fino da Bossa” em 19 de maio de 1965. Dirigido por Nilton Travesso e Manoel Carlos, o programa era apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues. Além da dupla interpretar sucessos do movimento musical, artistas eram convidados. O programa rendeu três discos intitulados “Dois Na Bossa” e durou até 1967.

Jovem Guarda

Uma das jovens tardes de domingo (Foto: Site oficial / Roberto Carlos)

A Record não pôde mais exibir as partidas de futebol ao vivo. Em meio a discussões sobre o que entraria no ar, o dono da emissora, Paulo Machado de Carvalho teve a ideia de criar um programa voltado para o público juvenil. Após uma reunição a agência Magaldi, Maia e Prosperi, Carlito Maia definiu a ideia: “Jovem Guarda”.

O programa estreou em 22 de agosto de 1965. Tendo na direção nomes como Nilton Travesso e Carlos Manga, “Jovem Guarda” tinha como apresentadores o trio Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. Também iam para o palco nomes como Wanderley Cardoso, Martinha, Os Vips e Ary Sanches. O programa durou até 1968.

Festivais da música brasileira

Foto do festival de 1967 (Foto: Acervo Record)

Nilton Travesso também foi o produtor e diretor dos Festivais da Música Brasileira promovidos pela Record. A emissora ajudou a projetar nomes como Chico Buarque, Nara Leão, Elis Regina, Caetano Veloso, Edu Lobo, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Marília Medalha e tantos outros.

Entre as canções marcantes que passaram pelo palco do Teatro Paramount estavam “A Banda” e “Disparada”, que protagonizaram um empate em 1966. Em 1967, “Ponteio”, de Edu Lobo e Ruy Guerra, inteprretado por Edu Lobo e Marília Medalha, foi o vencedor em um dos festivais mais marcantes.

Nas demais colocação estavam “Domingo No Parque”, interpretado por Gilberto Gil e Os Mutantes”, “Roda Viva”, com Chico Buarque e o MPB4, “Alegria Alegria”, com Caetano Veloso e os Beat Boys, e “Maria, Carnaval e Cinzas”, com Roberto Carlos e O Grupo.

O festival ficou marcado por um incidente: irritado com as vaias, Sergio Ricardo interrompeu sua interpretação de “Beto Bom de Bola” e atirou seu violão na direção da plateia.

De “Família Trapo” ao “Chico Anysio Show”: Nilton Travesso e o humor

“Família Trapo” em cena (Foto: Reprodução)

Ainda na década de 1960, na Record, Nilton Travesso foi, ao lado de Manoel Carlos, diretor de um sucesso retumbante: “Família Trapo”. O humorístico criado por Jô Soares e Carlos Alberto de Nóbrega reunia Ronald Golias, Jô Soares, Renata Fronzi, Otelo Zeloni, Ricardo Corte Real e Cidinha Campos.

O programa era centrado nas trapalhadas de Carlo Bronco Dinossauro e nas discussões com sua família. Foram quatro anos de sucesso no ar e o formato de gravação no teatro com plateia ao vivo mais tarde foi utilizado por outros humorísticos, como “Sai de Baixo” e “Vai Que Cola”. O programa durou de 1967 a 1971.

Décadas depois, Nilton Travesso ficou responsável por outro programa de humor de grande sucesso. Em 1986, ele foi supervisor de “Chico Anysio Show”, programa no qual Chico Anysio desfilava seus diversos personagens semanalmente.

Feito histórico do “Fantástico”

Ney Matogrosso no clipe histórico (Foto: Reprodução)

Convidado para ser um dos diretores do “Fantástico” em 1974, Nilton Travesso fez história novamente ligado a música. Coube a ele dirigir aquele que é considerado o primeiro videoclipe da TV brasileira.

Ney Matogrosso interpretou a canção “América do Sul” em meio à floresta. A apresentação foi exibida no “Fantástico, O Show da Vida”.

TV Mulher

Marília Gabroela apresentando o progeama (Foto: Divulgação)

A passagem de Nilton Travesso pela Rede Globo abriu espaço para outro programa que marcou época. Ele dirigiu “TV Mulher”. Apresentada por Marília Gabriela e Ney Gonçalves Dias, a atração voltava-se para temas como comportamento, política, sexo e direitos civis.

O “TV Mulher” também trazia entrevistas com artistas. Também trabalhavam no programa a atriz Irene Ravache, a jornalista Marisa Raja Cabaglia, o estilista Clodovil e o cartunista Henfil.

Som Brasil

João Bosco e Rolando Boldrin no “Som Brasil” (Foto: Madalena Schwartz / Globo)

Nilton Travesso foi um dos responsáveis por criar o “Som Brasil”. Apresentada por Rolando Boldrin, a atração exibida nas manhãs de domingo era voltada para divulgar músicas com estilo mais regional.

Além de músicas e quadros apresentados pelo próprio Boldrin, o programa trazia atrações do quilate de João Bosco, Milton Nascimento e Dominguinhos.

Do “Balão Mágico” a programas infantis no SBT

Nilton Travesso foi criador de programas de sucesso voltados para o público infantil. Para a Rede Globo, ele criou o “Balão Mágico”. No início, em 1983, o programa era apresentado por Simony e Fofão. O humorista Castrinho se juntou ao programa.

Posteriormente, Simony passou a ter as companhias de Tob, Mike e Jairzinho, e se tornaram uma febre. O programa durou três anos.

Nilton Travesso ainda foi responsável por programas infantis de sucesso também no SBT: ele foi o idealizador do “Show Maravilha”, apresentado por Mara Maravilha, e criou o “Bom Dia & Cia.”, apresentado por Eliana.

De “Pantanal” a “Éramos Seis”: núcleos de dramaturgia em emissoras

Ao sair da Rede Globo, Nilton Travesso foi responsável por estruturar o núcleo de teledramaturgia em outras emissoras. Na Manchete, ele ajudou a desenvolver e abrir caminho para novelas de sucesso, como “Pantanal” e “A História de “Ana Raio e Zé Trovão”.

No SBT, Nilton Travesso também foi encarregado de estruturar e dirigir o núcleo de dramaturgia (que não existia desde o fracasso de “Brasileiras e Brasileiros”). A emissora teve sucesso com as novelas “Éramos Seis”, “As Pupilas do Senhor Reitor” e “Sangue do Meu Sangue”. Na emissora também foi diretor das novelas “Razão de Viver” e “Os Ossos do Barão”.

Além disto, quando o SBT havia selado parceria com a Telefé para fazer a versão brasileira de “Chiquititas”, Nilton Travesso indicou Flávia Monteiro para fazer o papel principal. A novela se tornou um fenômeno de audiência durante quatro anos.

Após deixar o SBT, ainda trabalhou na breve tentativa da Bandeirantes de reativar seu núcleo de teledramaturgia. Nilton Travesso foi diretor geral, ao lado de Henrique Martins, das novelas “Serras Azuis” e “Meu Pé de Laranja Lima”, em 1998.

De Hebe a Adriane Galisteu: Nilton Travesso dirige apresentadoras

(Foto: Reprodução)

Nilton Travesso também foi responsável por ajudar a trajetória de apresentadoras durante sua trajetória na televisão. Ele ficou com a missão de dirigir o programa de Hebe na Record na década de 1960.

Posteriormente, trabalhou com Astrid Fontenelle no programa “Mulher 90”, na Manchete, Adriane Galisteu no programa “Charme”, do SBT, e Ana Maria Braga no “Mais Você”, da Rede Globo. Também trabalhou no “Saia Justa”, do GNT.

São Paulo (SP)
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