Da ligação histórica com Búzios até músicas em sua homenagem, Brigitte Bardot, que morreu aos 91 anos, gravou música brasileira e foi mencionada em letra de Caetano Veloso e em marchinhas

O cinema perdeu uma de suas atrizes mais marcantes. A francesa Brigitte Bardot morreu neste domingo, aos 91 anos, em Saint-Tropez, na França. A informação foi divulgada pela fundação que leva seu nome. Não foi divulgada a causa de sua morte.
Estrela de filmes clássicos como “A Garota do Biquíni”, “E Deus Criou A Mulher”, “A Verdade”, “O Desprezo”, “Histórias Extraordinárias” e “Shalako”, Brigitte Bardot teve uma influência muito grande na cultura pop e que ecoou também no Brasil. De
Brigitte Bardot em Armação dos Búzios

A magnitude de Brigitte Bardot diante dos fãs teve um episódio muito marcante em Armação dos Búzios. A atriz foi passar férias na cidade litorânea do Rio de Janeiro ao lado de seu namorado, o produtor de cinema Bob Zagury, em janeiro de 1964.
Sua presença na primeira visita durou quatro meses. A cidade era muito isolada e considerada um “paraíso secreto” foi essencial para a cidade. Devido à chegada de visitantes, jornalistas e fotógrafos de diversos países que queriam ver de perto Brigitte Bardot, Búzios passou a ver a construção de pousadas e se tornou uma região com economia amparada pelo turismo.
Brigitte Bardot conviveu com simplicidade entre os banhistas e moradores da região de Manguinhos. Em dezembro do mesmo ano, a atriz retornou para sua segunda e última visita a Armação dos Búzios. Na época, a cidade havia progredido economicamente e entrado na rota dos turistas.

Sua presença na cidade ficou imortalizada. Em 1999, foi inaugurada a Orla Bardot, em frente à Praia da Armação. Além disto, foi inaugurada uma escultura de bronze em sua homenagem. Christina Motta fez a escultura de Brigitte Bardot, hoje considerada um ponto turístico de Armação dos Búzios.
Brigitte Bardot gravou versão de música brasileira

A passagem da atriz por Armação de Búzios rendeu momentos de relação bem estreita com a cultura do Brasil. Brigitte Bardot gravou “Maria Ninguém”, música de Carlos Lyra, em português.
Além disto, gravou “Tu Veux ou Tu Veux Pas?”. A canção é uma versão de Pierre Cour para “Nem Vem Que Não Tem”, música de Carlos Imperial que foi sucesso na voz de Wilson Simonal.
De marchinha à Tropicália: a música brasileira homenageia Brigitte Bardot

O furor em torno de Brigitte Bardot também ficou evidenciado na música brasileira. Há um repertório significativo de canções que mostram seu impacto para os artistas e para quem acompanhou seu trabalho.
BARDOT E LOLÔ (1959)
Mara Silva gravou uma das primeiras músicas que fazem referência a Brigitte Bardot. Em “Bardot e Lolô”, a dupla Marília Batista e Henrique Batista mostra a atriz francesa como uma das referências de moda da época, em especial das mulheres.
A MARIA TÁ (1960)
Brigitte Bardot também caiu nas graças de um dos grandes autores das marchinhas. Autor de “Índio Quer Apito” e “Alalaô”, Haroldo Lobo mostrou o entusiasmo pela atriz em “A Maria Tá” (parceria sua com Milton Oliveira e Jair Noronha).
BRIGITTE BARDOT (1959)
Brigitte Bardot ganhou homenagem em ritmo de rock. Luiz Wanderley (mais tarde conhecido também por ser um dos autores de “Coroné Antônio Bento”), embalou sua paixão arrebatadora pela atriz em “Brigitte Bardot”, parceria que teve com José Batista.
BRIGITTE BARDOT (1960)
Uma das primeiras referências a Brigitte Bardot na música brasileira foi escrita por Miguel Gustavo. O compositor fez sambas de breque gravados por Moreira da Silva (como “O Rei do Gatilho”, “O Último dos Moicanos”, “Morengueira Contra 007 e “Na Subida do Morro) e entrou para a posteridade por ter escrito “Pra Frente Brasil”, música que embalou o tricampeonato mundial da Seleção Brasileira em 1970.
E em 1960, Miguel Gustavo escreveu “Brigitte Bardot”, marchinha bem-humorada cantada por Jorge Veiga que fez sucesso no Carnaval de 1961.
CARTA A BRIGITTE BARDOT (1961)
A inspiração de Miguel Gustavo em torno da atriz rendeu outra marchinha no ano seguinte. Foi gravada por Jorge Veiga a canção “Carta a Brigitte Bardot”, que brincou com a lista de pretendentes da musa pelo mundo afora.
CAIXA ALTA EM PARIS (1962)
Jorge Veiga ainda gravou uma terceira música em homenagem a Brigitte Bardot. De autoria de Gordurinha, a irreverente “Caixa Alta Em Paris” traz o cantor se gabando de estar prestigiado na França e ser convidado pela atriz
CADÊ BRIGITTE? (1963)
O auge de Brigitte Bardot rendeu outra marchinha: “Cadê Brigitte?”, de José Roy e Francisco Otaviano Neto, o popular cantor Risadinha. Coube ao próprio Risadinha soltar a voz na gravação que foi bastante entoada na passagem da cantora por Armação dos Búzios.
ALEGRIA, ALEGRIA (1967)
Em uma canção-manifesto que fez durante a Tropicália, Caetano Veloso evocou Brigitte Bardot como uma das artistas em evidência e de modernidade. A canção ainda cita a italiana Claudia Cardinale.
TAKE ME BACK TO PIAUÍ (1972)
Brigitte Bardot não escapou do tom satírico de Juca Chaves. Na irreverente “Take Me Back To Piauí”, o compositor incluir uma despedida singela à atriz. A música está na trilha de “Ainda Estou Aqui”, que em 2025 se tornou primeira produção brasileira a vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional.
BRIGITTE BARDOT (1973)
Um dos artistas que participaram da Tropicália, Tom Zé lançou a provocativa “Brigitte Bardot” na década de 1970. A canção fala do envelhecimento de um símbolo sexual e reflete como a juventude é efêmera.
BRIGITTE BARDOT (1984)
Mesmo depois de ter encerrado sua carreira como atriz, Brigitte Bardot continuou no imaginário coletivo. O grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone falou sobre ela durante a peça “A Farra da Terra”. Uma das músicas, de autoria de Péricles Cavalcanti, traz o grupo (e Caetano Veloso em participação especial) celebrando a força da atriz e ativista na luta pela proteção aos animais.
BRIGITTE BARDOT (2000)
O cantor e compositor Zeca Baleiro lançou em 2000 “Brigitte Bardot”. A canção romântica, que fala sobre lembranças, traz entre seus versos “a saudade é Brigitte Bardot”.
Brigitte Bardot em poesia brasileira

Brigitte Bardot também foi celebrada por um poeta no Brasil. A atriz, que se tornou um dos símbolos da França assim que chegou ao estrelato, está em um poema de Carlos Drummond de Andrade.
Seu nome é citado no espirituoso poema “Cultura Francesa”.
CULTURA FRANCESA
Com mestre Emílio aprendi
esse pouco de francês
que deu para ler Jarry.
Murilo, diabo na aula,
tinha gestos impossíveis,
que nem macaco na jaula.
Mestre Emílio, tão severo
não via no último banco
o aluno de moral zero.
Os verbos irregulares
saltavam do meu Halbout,
perdiam-se pelos ares.
Nunca mais os encontrei…
Talvez Brigitte Bardot
me ensinasse o que não sei.