
O sucesso de “O Agente Secreto” em festivais no Brasil e no exterior não propagou apenas o nome do cineasta Kleber Mendonça Filho e de atores como Wagner Moura, Tânia Maria e Maria Fernanda Cândido. O filme que ganhou prêmios como o Globo de Ouro e o Critics Choice Awards e recebeu quatro indicações ao Oscar teve uma peculiaridade.
Ambientado em 1977, ‘O Agente Secreto” trouxe em sua reconstituição o orelhão, apelido popular dado para telefones públicos que ficavam disponíveis para as pessoas utilizarem nas ruas.
Orelhão se torna símbolo da divulgação de “O Agente Secreto”

O orelhão se tornou uma peça publicitária para divulgar “O Agente Secreto” nos cinemas. Em diversas salas, foram instalados orelhões fictícios para que as pessoas tirassem fotos.
Cada pessoa que tirasse o telefone do gancho se sentiria em meio a uma cena do filme. O diálogo entre os personagens Marcelo (vivido por Wagner Moura) e João Pedro (interpretado por Marcelo Valle) era reproduzido na linha telefônica.
Como surgiu o orelhão no Brasil?

O orelhão surgiu no Brasil em 1971. O projeto é de Chu Ming Silveira, arquiteta nascida na China e radicada no Brasil desde a década de 1950. A chefe do departamento de projetos da Companhia Telefônica Brasileira desenvolveu o projeto para oferecer proteção acústica e, ao mesmo tempo, se adequar ao clima tropical do país.
O primeiro orelhão foi instalado em 20 de janeiro de 1972, no Rio de Janeiro. Cinco dias depois, houve a instalação do primeiro orelhão em São Paulo. A princípio, os orelhões funcionavam com fichas telefônicas.
A partir da década de 1990, as fichas foram dando lugar a cartões telefônicos.
O declínio e a iminente extinção do orelhão
Ainda há orelhões no Brasil. Porém, os aparelhos tradicionais estão com os serviços contados. Além da popularização dos celulares, no ano passado chegaram ao fim as concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos. Com isto, Algar, Oi, Sercomtel, Claro e Telefonica não têm mais obrigação legal de manter a estrutura dos telefones públicas.
Em janeiro, teve início a remoção de aparelhos desativados. Os orelhões só devem ser mantidos em cidades nas quais não há redes de aparelho celular disponível. Porém, somente até 2028. O orelhão, marco da telefonia brasileira, deve chegar ao fim em 2028.