
A história do Rio de Janeiro não fica restrita apenas a lugares ou datas que marcaram o estado e a capital. Às vezes, há momentos sutis que contribuem para guardar memórias de uma época.
Uma delas liga o cantor e compositor Erasmo Carlos a Ipanema, o reduto da Bossa Nova.
Erasmo Carlos e a pose emblemática em esquina de Ipanema
Em 1978, Erasmo Carlos lançou o LP “Pelas Esquinas de Ipanema” (nome inspirado em canção feita em parceria entre ele e Roberto Carlos). A música fala sobre o progresso e as mudanças da moda.
O disco ainda tem faixas como “Panorama Ecológico”, “Favelas e Motéis”, “A Terceira Força” e “Meu Ego”.Porém, além do vasto repertório de Erasmo Carlos, a foto da capa de “Pelas Esquinas de Ipanema” se tornou uma relíquia.
Erasmo Carlos posa exatamente na Rua Montenegro. Cerca de dois anos depois, esta rua mudaria de nome.
Por que Ipanema tinha uma Rua Montenegro?

Uma das esquinas da Rua Vieira Souto recebeu durante décadas o nome de Rua Montenegro. A rua era uma homenagem a Manuel Pinto de Miranda Montenegro, um dos genros do Barão de Ipanema e proprietário de terras no bairro entre o fim do século XIX e o fim do século XX.
Ao menos desde a década de 1920, a região de Ipanema passou a ser conhecida como Rua Montenegro. Conhecida por ser de uma área nobre de Ipanema, ela também abrigava o Bar Veloso, frequentado por artistas da Bossa Nova.
Ipanema “ganha” uma nova rua

Dois anos depois do histórico disco de Erasmo Carlos, Ipanema teve uma mudança em seu mapa. Em 9 de julho de 1980, o Brasil perdeu Vinícius de Moraes, que tinha 66 anos e deixou um legado na música, na poesia, na prosa e no teatro.
Dois dias depois, foi oficializada a mudança de nome: a Rua Montenegro passou a ser Rua Vinícius de Moraes. Por ser uma das transversais é a Rua Prudente de Morais, o escritor Millôr Fernandes definiu em tom bem-humorado como “o cruzamento do Prudente com o Imprudente de Moraes”.
E com esta esquina em Ipanema o Rio de Janeiro guardou em seu coração o “Poetinha”.