
Falta muito pouco para a edição de 2026 do Oscar ser realizada. Não falta expectativa em torno de saber como “O Agente Secreto” se sairá na cerimônia mais tradicional do cinema.
Só que a o reconhecimento do cinema brasileiro no exterior vem de 1963. Neste ano, o Brasil teve seu primeiro representante indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.
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Peça de Dias Gomes inspira filme indicado ao Oscar

A história do primeiro filme brasileiro indicado ao Oscar parte de um dos grandes autores brasileiros. Em 1959, o dramaturgo Dias Gomes (autor de peças e novelas , entre elas “O Bem Amado”, “Saramandaia” e “Roque Santeiro”) havia feito a peça “O Pagador de Promessas”, que conta a história de Zé do Burro, homem que saiu de seu sítio no interior e foi até a Salvador a pé, carregando uma cruz nos ombros, pagar uma promessa que havia feito caso seu burro Nicolau se curasse de uma doença.
Ao chegar à Igreja de Santa Bárbara, Zé e sua esposa Rosa lidavam com um dilema. O Padre Olavo não aceitava que ele adentrasse a igreja para cumprir a promessa, pois Zé do Burro a havia feito para Iansã, em um terreiro de umbanda.
Em paralelo, Rosa se envolvia com o aproveitador Bonitão. Além de Leonardo Villar fazer o protagonista, Glória Menezes, Geraldo del Rey, Othon Bastos e Antonio Pitanga estão no elenco.
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Antes da indicação ao Oscar, inédita vitória em Cannes

“O Pagador de Promessas” chamou a atenção de Anselmo Duarte, que havia iniciado sua trajetória artística como ator e foi galã em filmes da indústria Vera Cruz e, posteriormente, se tornou cineasta. Ele transportou a obra de Dias Gomes para o cinema e teve um reconhecimento até hoje histórico para o Brasil.
No ano de 1962, “O Pagador de Promessas” foi vencedor de Melhor Filme na Palma de Ouro do Festival de Cannes (de onde “O Agente Secreto” foi premiado com a Palma de Ouro de Melhor Interpretação Masculina para Wagner Moura e de Melhor Direção para Kleber Mendonça Filho). A premiação inédita (e até hoje a única do cinema brasileiro) rendeu carreata no país. O filme ainda foi premiado em Cartagena e San Francisco.
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Filme é indicado ao Oscar, mas diretor se recusa a comparecer à cerimônia

O Brasil já havia tentado uma vaga no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1961, com “A Morte Comanda O Cangaço”, dirigido por Carlos Coimbra e Walter Guimarães Motta. Porém, dois anos depois veio a indicação histórica.
“O Pagador de Promessas” conseguiu, em 1963, ficar entre os cinco indicados da categoria. Anselmo Duarte recebeu o convite da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Porém, recusou-se a ir à cerimônia.

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O cineasta ficou insatisfeito com o título em inglês dado para seu filme. No exterior, a obra se chamou “The Given Word” (“A Palavra Empenhada”).
O filme francês “Sempre Aos Domingos”, de Serge Bourguignon, venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1963. Os demais concorrentes de “O Pagador de Promessas” eram “Elektra” (da Grécia), “Tiayucan” (do México) e “4 Dias de Rebelião” (da Itália).
Após “O Pagador de Promessas”, Anselmo Duarte fez outros filmes de destaque, como “Vereda da Salvação” e “Quelé do Pajeú”.
“O Agente Secreto” tem dia de expectativa

“O Agente Secreto” concorre neste domingo em quatro categorias do Oscar: Melhor Filme Internacional, Melhor Seleção de Elenco, Melhor Ator (com Wagner Moura) e Melhor Filme. O feito é histórico para o cinema brasileiro.
O Brasil tem representante em outra categoria. Adolpho Veloso concorre a Melhor Fotografia por seu trabalho em “Sonhos de Trem”.