
Uma das produções mais aguardadas deste ano no cinema brasileiro chega ao circuito nesta quinta-feira. Trata-se de “Antártida”.
Escrito por Claudia Jouvin com direção de Bruno Safadi, “Antártida” é um thriller psicológico que tem mulheres como protagonistas e impressiona por trazer recursos visuais de última geração. O filme tem um megaelenco, que traz nomes como Andrea Beltrão, Leandra Leal, Marina Ruy Barbosa, Antônio Calloni, Lázaro Ramos, Mariana Sena, João Vitor Silva e Henrique Barreira.
“Antártida” aborda temas espinhosos
Em meio ao gelo, ao silêncio e à tensão extrema nasce “Antártida”, superprodução do Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo em coprodução com a TV Globo.
A história se passa na estação de pesquisas brasileira na Antártida, onde cientistas e militares se preparam para enfrentar o inverno isolados. Na primeira noite, um crime contra a pesquisadora Inês abala a base e transforma o ambiente já hostil em uma verdadeira panela de pressão. Todos os homens da estação se tornam suspeitos, inclusive o Comandante Barros e o Capitão Vicente. A subcomandante Elisabeth assume a missão de investigar o ocorrido e, com o apoio das mulheres da base – entre elas Marina e Rose –, enfrenta o medo, o silêncio e a violência em busca de justiça.
“Antártida” foi feito em estúdio virtual

O projeto nasceu em 2017, inspirado em uma notícia real sobre um incêndio na estação brasileira Comandante Ferraz, na Antártida. Para o longa-metragem, os Estúdios Globo decidiram testar a tecnologia Unreal em produções audiovisuais.
-Antártida’ é um projeto muito pessoal, que me permitiu exorcizar muitas coisas. E ver esse elenco incrível dando vida aos personagens foi emocionante – conta Claudia.
A decisão de filmar em estúdio virtual foi o que permitiu que o projeto saísse do papel.
-Fazer um filme inteiro na Antártida seria inviável, tanto pelo custo quanto pelas condições climáticas”, explica o diretor Bruno Safadi.
-A tecnologia de produção virtual nos permitiu criar uma imersão total, onde o mundo real e o virtual se fundem aos olhos da câmera e do espectador. Parece que estamos realmente no continente antártico.
A produtora Isabela Bellenzani relembra os primeiros passos da produção e os desafios técnicos enfrentados:
-A ideia de filmar na Antártida parecia impossível, até que surgiu a possibilidade de usar a tecnologia do estúdio virtual. Montamos uma equipe multidisciplinar e começamos a estudar como viabilizar um filme dessa complexidade dentro dos Estúdios Globo. Foram oito meses de trabalho intenso, com 16 semanas de pré-produção e seis semanas de testes. Tudo precisava estar pronto antes do primeiro “ação”. O resultado é fruto de muito estudo, testes e colaboração entre direção, efeitos especiais, produção e tecnologia.
O projeto se destaca por ser filmado no maior estúdio permanente de produção virtual da América Latina. Com mais de 1.500 m², o novo espaço integra tecnologias de ponta como câmeras com tracking de alta precisão e recursos de Inteligência Artificial e Realidade Aumentada em mais de 300 m² de telas de LED. O uso de produção virtual une o mundo real e virtual de forma fluida, trazendo inúmeras mudanças na cadeia de produção, como a possibilidade de filmar em lugares inóspitos e de difícil acesso. Outros benefícios são a otimização de recursos, a redução de deslocamentos e a não dependência de fatores externos como variações climáticas, ampliando as possibilidades criativas para o desenvolvimento de conteúdo.
O produtor de tecnologia Bruno Netto detalha:
-Usamos um software de engenharia de games para reproduzir virtualmente a base de 2012, que não existe mais. Captamos imagens reais na Patagônia com câmeras 360 e combinamos com cenários físicos, criando uma emenda quase imperceptível entre o real e o virtual”.
A cenografia também foi peça fundamental para garantir verossimilhança e confundir os limites entre real e virtual.
-Nosso maior objetivo era fazer com que o público não soubesse onde começava o cenário físico e onde terminava o virtual”, explica o cenógrafo Felipe Serran.
-Criamos camadas de neve com diferentes materiais para dar textura, profundidade e realismo. O pé afunda, a neve se arrasta… tudo foi pensado para que a experiência fosse crível e imersiva.
Além da inovação técnica, “Antártida” é um thriller eletrizante, que prende o espectador do começo ao fim. A tensão cresce a cada cena, com suspeitas e confrontos intensos.
-É um filme de investigação, um whodunit, onde todos são suspeitos e ninguém está seguro”, diz Claudia.
-O público vai ficar nervoso, curioso, querendo descobrir quem cometeu o crime”. A produção também se destaca por abordar temas urgentes como violência contra a mulher e abuso de poder. “A história é sobre sobrevivência, justiça e solidariedade feminina”, resume Claudia.
Longa do Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo escrito por Claudia Jouvin, “Antártida” tem direção de Bruno Safadi. A produção é de Isabela Bellenzani e a produção executiva de Raphael Cavaco e Betina Paulon. José Luiz Villamarim assina a supervisão artística.
Filme foi exibido no Festival de Gramado

“Antártida” foi escolhido para ser o filme de abertura do Festival de Gramado. O principal festival de cinema do país teve como um dos grandes momentos a recepção com “direito a neve”.