
Faltam 10 dias para a realização do Oscar 2026. E não falta expectativa em torno de “O Agente Secreto”.
O filme está indicado em quatro categorias do Oscar: Melhor Filme Internacional, Melhor Seleção de Elenco, Melhor Ator (com Wagner Moura) e Melhor Filme. No entanto, a trajetória de Kleber Mendonça Filho é bem vasta e traz uma série de títulos consagrados no Brasil e no exterior.
De crítico de cinema aos primeiros curtas: o início de trajetória de Kleber Mendonça Filho

Kleber Mendonça Vasconcellos Filho nasceu no Recife em 22 de novembro de 1968. Sua adolescência foi marcada por ter vivido entre os 13 e os 18 anos na Inglaterra, onde a mãe, a historiadora Joselice Jucá, fazia doutorado. Posteriormente, ele voltou à capital pernambucana e se formou em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Sua ligação com o cinema teve início interligada com o jornalismo. Kleber Mendonça Filho fazia crítica de cinema, e escreveu para veículos importantes, como o “Jornal do Commercio”, o site “CinemaScopio”, as revistas “Continente” e “Cinética”, além do jornal “Folha de São Paulo”.
Depois de começar a fazer alguns experimentos em vídeo na década de 1990, Kleber Mendonça Filho passou a fazer curtas-metragens na década de 2000. Seu curta de estreia foi “Vinil Verde”, de 2004, um suspense psicológico premiado no Festival de Gramado.
No ano seguinte, fez “Eletrodoméstica”, que aborda o cotidiano de uma família em meio ao barulho de eletrodomésticos. Em 2006, o cineasta fez “Noite de Sexta, Manhã de Sábado”, que apresenta a distância amorosa e física entre duas pessoas que moram em países diferentes. Os dois filmes foram premiados no Cine PE.
No ano de 2009, fez “Recife Frio”, documentário com ares ficcionais que imagina uma mudança climática em Recife. O curta se tornou uma referência cultural da capital pernambucana e ainda recebeu prêmios de Melhor Ficção no Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro e o Grande Prêmio Canal Brasil de Curtas-Metragens, além de ser premiado como Melhor Momento do Festival de Brasília.
Em 2014, o diretor ainda fez “A Copa do Mundo no Recife”, um mini-documentário que mostrava o contraste entre o clima de Copa e os problemas sociais da cidade.
Onde assistir: MUBI e no site da NEON
“O Crítico”: o primeiro longa de Kleber Mendonça Filho

No ano de 2008, Kleber Mendonça Filho apresentou seu primeiro longa-metragem. Já tendo na produção Emilie Lesclaux, que se tornou sua produtora e esposa, o cineasta trouxe para as telas “Crítico”.
O documentário registrou durante oito anos depoimentos de cineastas e de críticos de cinema sobre o conflito entre realizadores e pessoas que trazem opiniões quanto à sétima arte. São mais de 70 depoimentos que surgem em cerca de 1h15, em um painel bem amplo.
Onde assistir: Prime Video (DOC Canal Brasil)
“O Som ao Redor”

Primeiro longa de ficção de Kleber Mendonça Filho, “O Som Ao Redor” chegou de maneira arrebatadora ao público e crítica. O filme foi reverenciado no Festival de Roterdã, recebeu prêmios em duas categorias do Troféu Redentor no Festival do Rio (Melhor Filme de Ficção e Melhor Roteiro) e quatro Kikitos do Festival de Gramado (Melhor Desenho de Som, Melhor Direção, Melhor Filme pelo Júri Popular e Melhor Filme pelo Júri da Crítica).
Além disto, foi representante do Brasil na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2014.
“O Som Ao Redor” mostra como a rotina de um grupo de moradores de classe média é alterada após a entrada gradual de um grupo de milicianos na região. O elenco tem Irandhir Santos, Maeve Jinkings, Gustavo Jahn e Irma Brown.
Onde assistir: Netflix
“Aquarius”

O projeto posterior de Kleber Mendonça Filho foi “Aquarius”. Lançado em 2016, o filme disputou a Palma de Ouro em Cannes e foi indicado ao Prêmio César de Melhor Filme Estrangeiro. Além disto, a protagonista Sônia Braga recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Lima, no Festival de Mar del Plata e nos Prêmios Platino.
O lançamento de “Aquarius” foi marcado por um momento político: no tapete vermelho em Cannes, o cineasta Kleber Mendonça Filho e integrantes da equipe exibiram cartazes contra o impeachment da então presidente Dilma Rousseff ao passarem pela escadaria do Grand Théàtre Lumière. Entre as mensagens, o grupo dizia “Um golpe aconteceu no Brasil”, “O mundo não pode aceitar a ilegalidade desse governo”, “O Brasil não é mais uma democracia” e “Vamos resistir”.
A trama de “Aquarius” mostrava problemas de especulação imobiliária. A última moradora de um condomínio na praia de Boa Viagem resiste à pressão de uma construtora para que ela saia do imóvel, pois há planos de que o edifício seja demolido e um arranha-céu ocupe o lugar.
O elenco traz nomes como Sônia Braga, Irandhir Santos, Maeve Jinkings e Humberto Carrão.
Onde assistir: Globoplay
“Bacurau”

Um dos mais aclamados filmes de Kleber Mendonça Filho, “Bacurau” levou mais de 750 mil espectadores aos cinemas. Codirigida com Juliano Dornelles, a obra estreou no Festival de Cannes de 2019 e recebeu o Prêmio do Júri. Além disto premiada no New York Critics Circle, Além disto, recebeu prêmios em festivais de Munique e Lima.
A trama é ambientada em Bacurau, um povoado no Sertão que misteriosamente surge do mapa. Repentinamente, começam a acontecer crimes inexplicáveis, e os moradores passam a tentar reagir.
O elenco tem o astro alemão Udo Kier e nomes como Sônia Braga, Silvero Pereira, Bárbara Colen, Thomas Aquino, Karine Telles, Carlos Francisco e Suzy Lopes.
Onde assistir: Globoplay
“Retratos Fantasmas”

Em 2023, Kleber Mendonça Filho se voltou para sua terra natal. O cineasta apresentou ao público “Retratos Fantasmas”.
Trata-se de um documentário que resgata os cinemas do Recife, trazendo a rotina de ir ao cinema e também as mudanças que marcaram o polo cinematográfico da capital pernambucana. O filme foi indicado para representar o Brasil no Oscar de Melhor Filme Internacional em 2023.
Onde assistir: Netflix
A trajetória de “O Agente Secreto”

Até o momento, “O Agente Secreto” tem mais de 60 prêmios. Os mais relevantes são a Palma de Ouro em Cannes de Melhor Direção (para Kleber Mendonça Filho) e Melhor Atuação Masculina (para Wagner Moura). Em Cannes, o filme recebeu outros prêmios: Prêmio FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema) e Prêmio “Art et Essai”, concedido pela AFCAE (Associação Francesa de Cinema d’Art et d’Essai).
Além disto, recebeu o Critics Choice Awards de Melhor Filme Internacional e dois prêmios do Globo de Ouro: Melhor Filme em Língua Não-Inglesa e Melhor Ator (para Wagner Moura).
O Oscar é realizado em 15 de março.