
Uma das cerimônias mais tradicionais do cinema está perto de ser realizada. O Oscar terá sua edição de 2026 no próximo mês.
E uma das produções que concorrem ao prêmio de Melhor Filme é o contemplativo “Sonhos de Trem”, ambientado no início do século XX. Não faltam curiosidades em torno do filme dirigido por Clint Bentley e que concorre com “O Agente Secreto”.
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“Sonhos de Trem” tem inspiração na literatura

Filme de Clint Bentley, “Sonhos de Trem” parte de uma obra literária. Trata-se da adaptação da novela homõnima de Denis Johnson, publicada primeiramente publicada na revista The Paris Review em 2002 e, mais tarde, lançada como um livro em 2011.
A trama é ambientada no início do século XX. O cineasta recorre a uma narrativa mais contemplativa, como se fosse uma série de memórias do protagonista Robert Grainier.
A forma como o filme chegou às telas traz influência de outro cineasta: Terrence Mallick, que dirigiu filmes como “Dias No Paraíso” e “A Árvore da Vida”.
Ator de “Sonhos de Trem” comove cineasta

O diretor Clint Bentley rasgou elogios a Joel Edgerton. Aos seus olhos, o ator teve uma atuação “magnífica” e “profunda”, transmitindo profundas emoções com o mínimo de esforço. Edgerton também foi valorizado por sua interpretação que trouxe humanidade essencial para um trabalhador braçal que sofreu com luto e isolamento no início do século XX.
A capacidade de intuição e de dizer tanto com tão pouco também foram exaltadas pelo cineasta.
Proporção de tela de “Sonhos de Trem” é incomum no cinema

O diretor Clint Bentley pensou de diversas formas em fazer com que o espectador de “Sonhos de Trem” conseguisse “mergulhar” no clima do início do século XX. Uma delas passou pela projeção do filme.
O enquadramento é em 3:20, inspirado em fotografias antigas da extração de madeira. Por isto há barras pretas nos lados da tela.
Naturalismo marca “Sonhos de Trem”

Como o filme retrata a vida dos lenhadores no início do século XX, prevaleceram o espaço para a luz natural ou artesanal. “Sonhos de Trem” deu destaque a paisagens naturais da região do Estado de Washington.
A busca era por dar o maior naturalismo possível para as cenas. A equipe usou velas, fogueiras e lamparinas reais em vez de iluminação artificial para criar uma atmosfera autêntica, como se remetesse a uma memória.
Preocupação ecológica em “Sonhos de Trem”

“Sonhos de Trem” mostra a rotina de lenhadores, que derrubavam árvores para que fossem construídas ferrovias. Porém, a produção teve uma forma inusitada de não causar grandes transtornos ecológicos.
Houve a utilização de árvores artificiais, feitas de madeira e fibra de vidro. O intuito era evitar o corte de árvores verdadeiras e, mesmo assim, conseguir ângulos necessários. Uma mesma árvore foi utilizada em vários cenários, para compensar limitações orçamentárias.
“Gambiarra” em “Sonhos de Trem”

Com pouco orçamento, a produção de “Sonhos de Trem” utilizou uma técnica semelhante à de “Dunkirk” (filme dirigido por Christopher Nolan em 2017) para criar efeitos visuais com baixo custo. Em seu filme, Nolan acoplou câmeras e as girou para criar a ilusão de movimento e luz interativa real, em vez de utilizar computação gráfica (CGI).
Em “Sonhos de Trem”, uma cabine fixada com câmeras acopladas era girada e dava ilusão de movimento, o que garantia que a luz na cena fosse interativa e real.
Cena mais desafiadora de rodar em “Sonhos de Trem”

De acordo com o fotógrafo Adolpho Veloso, a cena mais difícil de rodar em “Sonhos de Trem” foi a do incêndio. A equipe também usou luz natural para gravá-la.
Para a cena de destruição da cabana de Robert Grainier, a produção construiu a cabana duas vezes. A segunda versão foi preparada só para ser carbonizada. Além disto, foram utilizadas cinzas de verdade. O lenhador vê sua casa reduzida a cinzas cinzentas.
Voz em “off” pontua trama de “Sonhos de Trem”

“Sonhos de Trem” prevê uma narração em “off”. E o cineasta Clint Bentley optou por não deixar que o ator Joel Edgerton, que faz o protagonista Robert Grainier, também contasse a história do protagonista do filme.
Cabe a Will Patton fazer as cenas em “off”. Curiosamente, Patton (que fez filmes como “Duelo de Titãs” e “Armagedon”) também narrou o audiolivro de “Sonhos de Trem”.
Brasileiro ganha projeção por “Sonhos de Trem”

A equipe de “Sonhos de Trem” conta com um passageiro de luxo. Trata-se de Adolpho Veloso, fotógrafo paulista radicado em Lisboa.
Sua primeira parceria com o cineasta Clint Bentley aconteceu em 2017, em “Jockey”. “Sonhos de Trem” levou Adolpho Veloso a ganhar projeção no exterior.
O profissional recebeu os prêmios de Melhor Fotografia no Critics Choice Awards e no LAFCA. Além disto, está indicado ao BAFTA e ao Oscar de Melhor Fotografia por seu trabalho na obra.
Valor do investimento em “Sonhos de Trem”

“Sonhos de Trem” custou aproximadamente US$ 10 milhões, um orçamento considerado baixo para as produções da Netflix. O filme de Clint Bentley está indicado em quatro categorias: além do Oscar de Melhor Filme, disputa Melhor Fotografia, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original (“Train Dreams”, de Nick Cave e Bryce Dessner).