
A cerimônia mais tradicional do cinema terá mais uma edição em breve. Falta pouco para a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood promover a entrega do Oscar 2026.
E esta edição abrirá espaço para outro filme que reverencia o maior dramaturgo da língua inglesa: William Shakespeare. “Hamnet – A Vida Antes de Hamlet” é baseado em um best-seller de Maggie O’Farrell, que parte de elementos da biografia do “Bardo” e coloca como pano de fundo a criação de uma das obras mais consagradas do escritor. Este é um dos concorrentes de “O Agente Secreto” no prêmio mais cobiçado do ano.
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“Hamnet” traz Shakespeare de maneira mais humanizada

Assim como no livro original de Maggie O’Farrell (que é uma das roteiristas de “Hamnet – A Vida Antes de Hamlet”), há uma busca por deixar de lado a aura de gênio de William Shakespeare. O cerne da trama é na sua vida pessoal e, em todos os momentos, ele é chamado de Will.
O filme também mostra o dilema de Will entre seguir com sua família em Stratford e suas viagens recorrentes para Londres, onde tem sua ambição de se destacar como escritor e ator.
“Hamnet” deixa Agnes como protagonista

William Shakespeare é deixado em segundo plano no decorrer da história de “Hamnet – A Vida Antes de Hamlet”. O filme de Chloé Zhao se volta essencialmente para as emoções de Agnes, vivida por Jackie Buckley.
Além de ser mostrada como uma mulher mística e ligada à natureza, a personagem (inspirada em Anne Hathaway, mulher de Shakespeare) é mostrada como uma pessoa importante para Will, e que se torna um pilar na vida do marido. Seus traços incluem a independência e a força, que reforçam uma trama que é marcada por luto.
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“Hamnet” traz irmãos em papéis inusitados no filme

“Hamnet – A Vida Antes de Hamlet” dá espaço para uma atuação em família de uma forma para lá de especial. Cabe a Jacobi Jupe interpretar Hamnet, o filho de Will e Agnes.
Seu irmão mais velho, Noah Jupe, faz o papel de Hamlet na montagem feita no Globe Theatre. O impacto ficou ainda maior para a cena final do filme.
Conduta especial da diretora de “Hamnet”

Uma das técnicas da diretora Chloé Zhao no decorrer das filmagens foi a de que os atores não mergulhassem muito nos seus personagens. Para a cineasta, o mais interessante era encontrar o que cada ator estivesse sentindo no momento de gravar a cena.
No decorrer do trabalho em “Hamnet – A Vida Antes de Hamlet”, Chloé prezava por encontrar a magia da atuação na hora, em vez de algo extremamente trabalhado. Um dos episódios mais marcantes foi a cena na qual Will pergunta a Hamnet se ele será corajoso. O ator Paul Mescal jogou o ator que interpreta Hamnet no ombro e a reação do menino, de tão genuína, foi mantida.
Busca por um ambiente realista

A cineasta Chloé Zhao também deixou de lado tecnologias e efeitos para dar privilégio à natureza. As cenas foram tomadas por experiências sensoriais.
A atriz Jessica Buckley chegou a comentar: “”Você não está pisando num set, você está entrando numa vida. Tem até cheiros. Não dá vontade de sair”. Foram colocados cheiros específicos pela diretora.
A reconstituição do Globe Theatre

Embora o Globe Theatre ainda exista em Londres, a produção de “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” decidiu fazer uma réplica do teatro original. Além de remeter à época da primeira montagem de “Hamlet”, houve uma sucessão de preocupações.
A principal era dar um tom mais intimista, que a cineasta Chloé Zhao definiu como “o interior de uma árvore”, e com mais autenticidade. Para isto, foram utilizadas madeiras reaproveitadas, que deram a sensação de construção de época. A réplica construiu 70% da escala real do Globe Theatre.
Isto foi essencial para que atores como a protagonista Jessie Buckley e os demais figurantes tivessem uma experiência imersiva e sentissem como era acompanhar “Hamlet” num palco no século XVI.
Um comovente Paul Mescal em “Hamnet”

A interpretação de Paul Mescal causou muita comoção, em especial nas cenas de luto de Will. Em entrevista divulgada na “GQ”, o fotógrafo Łukasz Żal (que tem trabalhos como “Guerra Fria”, “Com Amor, Van Gogh” e “Zona de Interesse”) afirmou que se emocionou e chorou nos bastidores.
Paul Mescal está indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante 2026.
Reta final com cortes em “Hamnet”

A diretora Chloé Zhao lidou com uma situação desafiadora para concluir “Hamnet – A Vida Após Hamlet”. O roteiro original do filme abria espaço para mostrar a preparação artística e cerca de 40 minutos nos quais William Shakespeare e os demais atores fariam uma apresentação de “Hamlet” diante da multidão no Globe Theatre.
A montagem foi encenada conforme o previsto. No entanto, ao ver o material ao lado do montador Affonso Gonçalves, a cineasta decidiu cortar sequências do “Hamlet” apresentado no palco. O intuito foi deixar seu “Hamnet – A Vida Após Hamlet” com mais ritmo para quem acompanhasse nas telas.
Um brasileiro na trupe de “Hamnet”

“Hamnet – A Vida Antes de Hamlet” tem um representante brasileiro. Trata-se de Affonso Gonçalves.
O paulista radicado em Los Angeles afirmou em entrevista a “O Globo” que conheceu a cineasta Chloé Zhao há sete anos, em um laboratório no Festival de Sundance, e entrou em contato com ela para elogiar seu filme “Nomadland – Sobreviver Na América” (vencedor do Oscar de Melhor Filme de 2020). Os dois ficaram em contato e ela o chamou para trabalhar em “Hamnet”.
Affonso Gonçalves trabalhou em filmes como “Carol” (2015) e “Segredos de Um Escândalo” (2023), de Todd Haynes, e trabalhou com Jim Jarmusch, para quem montou “Paterson” (2016) e “Pai Mãe Irmã irmão” (2025), vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza.
Além disto, Affonso Gonçalves fez a montagem de “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, primeira produção brasileira a vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional. O montador esteve na pré-lista do Oscar 2026 por “Hamnet – A Vida Após Hamlet”, mas não foi indicado entre os cinco finalistas.
Saiba o valor de “Hamnet – A Vida Após Hamlet” e quantas indicações tem ao Oscar

“Hamnet – A Vida Após Hamlet” tem seu valor estimado na casa dos US$ 35 milhões. Um de seus produtores é Steven Spielberg, que investiu no filme por meio da Amblin Entertainment.
Além de concorrer ao Oscar de Melhor Filme, a obra disputa nas categorias de Melhor Direção (com Chloé Zhao), Melhor Atriz (com Jessie Buckley), Melhor Ator Coadjuvante (com Paul Mescal), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora Original.
O Oscar é realizado em 15 de março.