
Faltam poucos dias para a edição de 2026 do Oscar ser realizado. A cerimônia mais tradicional da história do cinema se consolidou por trazer um selo de referência para diversas obras que chegam aos espectadores.
Prestes a chegar à sua edição de número 98, o Oscar direciona os holofotes para diversos estilos de filmes e consagrem cineastas e artistas.
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“Oscar Bump”: a corrida em busca de filmes prestigiados

O alcance global do Oscar é visto principalmente após o anúncio dos indicados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Assim que são divulgados, há uma tendência dos espectadores correrem para os cinemas, com o intuito de assistirem aos filmes e fazerem suas próprias análises em relação a quem disputa os principais prêmios.
Este fenômeno é chamado “Oscar Bump”. As indicações podem fazem com que a bilheteria de um filme salte entre 30% e 50% em poucas semanas
De acordo com a pesquisa do IBIS World, o aumento fica entre 15 e 20% de bilheteria no vencedor de Melhor Filme. Além disto, filmes que já saíram de circuito tendem a retornar aos cinemas para serem assistidos pelo grande público, se tornando um filme de cauda longa (com muitas semanas de duração).
Oscar dá projeção a filmes independentes e valida blockbusters

O Oscar tem sido excepcional para consagrar também nas bilheterias filmes que tinham um investimento inferior aos seus concorrentes. A edição de 2025 deu a”Anora” o Oscar de Melhor Filme.
Fenômeno do cinema autoral, a obra de Sean Baker teve baixo orçamento e foi produzida fora dos grandes estúdios americanos. O filme custou US$ 6 milhões, e seu investimento na campanha foi de US$ 18 milhões. Mesmo assim, desbancou favoritos como “Conclave”, “O Brutalista”, “Duna: Parte 2” e “Wicked”.
Impulsionado pelas cinco estatuetas do Oscar, “Anora” teve um aumento de 594% nas bilheterias após a consagração. Só no primeiro fim de semana, lucrou US$ 44 milhões.
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Para os blockbusters, o “Oscar Bump” não se restringe à bilheteria. Além do filme ampliar seu já bem-sucedido rendimento nas bilheterias, o Oscar surge como um selo de consagração para a obra.
“Oppenheimer”, de Christopher Nolan, ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão em bilheteria total graças ao desempenho no Oscar. O filme terminou sua trajetória com US$ 4 bilhões.
O “efeito Oscar” e as plataformas de streaming

A chegada do streaming trouxe algumas novidades em relação ao “Oscar Bump”. Plataformas estão buscando bônus baseados no desempenho do filme na plataforma. À medida que o filme tenha mais prestígio e visualizações, maior a remuneração. A tendência é que um indicado ao Oscar atraia os dois.
Nesta edição de 2026, praticamente todos os indicados ao Oscar de Melhor Filme estão no streaming.
O streaming e os atores em relação ao Oscar

Depois das greves de atores que aconteceram no ano de 2023, os acordos do SAG-AFTRA (sindicato dos atores) preveem bônus de “sucesso” conforme o desempenho dos filmes plataformas de streaming. Caso uma obra indicada ao Oscar seja bem assistida (no percentual de 20% dos assinantes domésticos nos primeiros 90 dias), os atores e a equipe técnica recebem um bônus de valorização.
A indicação ao Oscar é uma das melhores formas de atrair marketing para um filme. Assim que chega ao streaming, a tendência é que a audiência aumente. Com isto, há possibilidade de receber pagamentos mais expressivos, dependendo do contrato.
O “efeito Oscar” no Brasil

O “efeito Oscar” também trouxe um bom panorama para o cinema brasileiro. “Ainda Estou Aqui” havia estreado sob expectativa de ser o filme brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional.
Dirigido por Walter Salles, “Ainda Estou Aqui” estreou nos cinemas em 7 de novembro de 2024. Em seu primeiro fim de semana levou cerca de 350 mil pessoas e arrecadou cerca de R$ 8,6 milhões.
A caminhada do Oscar trouxe efeitos para o filme estrelado por Fernanda Torres. “Ainda Estou Aqui” voltou ao topo das bilheterias assim que teve seu anúncio entre os indicados ao Oscar, num aumento de 300% de procura de ingressos.
Na semana seguinte a se tornar o primeiro filme 100% brasileiro a vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional, “Ainda Estou Aqui” bateu R$ 200 milhões em bilheteria globalmente. O filme terminou sua trajetória xom 8,5 milhões. A obra chegou ao streaming cinco meses depois de estrear nos cinemas e de ficar 21 semanas no circuito.
“O Agente Secreto” estreou no dia 6 de novembro, após pré-estreias em diversas cidades. Em sua estreia, teve maior abertura de um filme brasileiro no ano, com 340 mil pessoas.
Cotado para o Oscar, o filme de Kleber Mendonça Filho ultrapassou a marca de 1 milhão em cerca de um mês e se tornou a obra feita no país mais vista no ano de 2025. Além disto, se tornou um recorde na trajetória do cineasta (ultrapassando “Bacurau”).
As quatro indicações ao Oscar também fizeram “O Agente Secreto” ter novo fôlego nas bilheterias e ganhar novo vigor, alcançando 1,7 milhões de espectadores, em meio a blockbusters. Quando o filme estrelado por Wagner Moura chegou à Neflix, “O Agente Secreto” estava com 2,4 milhões de espectadores.
O Oscar acontece em 15 de março.