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Cinema e TV

“O Agente Secreto” pode levar o Brasil a entrar para grupo de países vencedores do Oscar de Melhor Filme Internacional por dois anos seguidos

"O Agente Secreto" tenta manter Oscar de Melhor Filme Internacional no Brasil
Vinicius FaustiniPor Vinicius Faustini13 de março de 2026Atualizado:13 de março de 2026
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“O Agente Secreto” tenta manter o Oscar de Melhor Filme Internacional no Brasil (Fotos: Divulgação)

Faltam pouquíssimos dias para mais uma edição do Oscar. E a ansiedade em torno de “O Agente Secreto” se estende ao fato de o Brasil ter mais uma meta para alcançar.

Com a obra de Kleber Mendonça Filho, o Brasil pode entrar para a galeria de países que conseguiram, por dois anos consecutivos, vencer por dois anos consecutivos o Oscar de Melhor Filme Internacional.

Oscar consagrou em especial o neorrealismo da Itália

“Oito e Meio” (Foto: Divulgação)

A Itália foi o primeiro país a conseguir a “dobradinha” na categoria. O Oscar ajudou a ampliar mundialmente a obra de Federico Fellini com as vitórias de “A Estrada da Vida”, vencedor em 1957, e “Noites de Cabíria”, premiado em 1958. Os dois filmes são protagonizados por Giullieta Massina, a estrela do neorrealismo italiano.

O movimento seguiu em alta também no Oscar em 1963, com a premiação de “Oito E Meio”, considerado um dos clássicos da obra de Federico Fellini, e que traz nomes como Marcello Mastroiani e Claudia Cardinale. Na edição seguinte, Vittorio De Sica foi premiado por seu “Ontem, Hoje e Amanhã”, estrelado por Sophia Loren e Marcello Mastroiani.

Em 1971, o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro foi para “Investigação Sobre Um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita”, dirigido por Elio Petri, que tinha Gian Maria Volante e consagrou em nível internacional a brasileira Florinda Bolkan. No ano seguinte, “O Jantar dos Finzi-Contini”, de Vittorio de Sica, foi o vencedor da categoria, num filme estrelado por Dominique Sanda.

França: entre “mãozinha” brasileira e rupturas de conceitos

“A Noite Americana” (Foto: Reprodução)

A França também teve momentos de “dobradinhas” no Oscar. Em 1959, o cinema autoral de Jacques Tati foi reconhecido com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro para o filme “Meu Tio”. No ano seguinte, o Brasil contribuiu para que os franceses vencessem de novo.

Marcel Camus gostou da história da peça “Orfeu da Conceição”, dirigida por Vinícius de Moraes e com músicas de Tom Jobim, e decidiu adaptá-la. E assim nasceu “Orfeu Negro”, filme rodado no Rio de Janeiro, com atores brasileiros. Breno Melo (então jogador de futebol) era Orfeu e a americana Marpessa Dawn fez Eurídice., Léa Garcia e o atleta Adhemar Ferreira da Silva estava no elenco. Embora se passasse no Brasil e fosse falado em português, o Oscar foi considerado francês.

Na década de 1970, os franceses voltaram a fazer uma “dobradinha”, com cineastas que romperam conceitos. Na edição de 1973, o ousado Luis Buñuel foi premiado por sua obra “O Discreto Charme da Burguesia”, uma sátira com toques de humor negro. No ano seguinte, “A Noite Americana”, um dos clássicos filmes de François Truffaut, deu a chancela do Oscar para um dos principais nomes da Nouvelle Vague. A história mostra um diretor de cinema que tenta terminar o seu filme ao mesmo tempo que lida com situações particulares de seus atores.

A França voltou a ter uma “dobradinha” no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro a partir de 1978, com “Madame Rosa: A Vida À Sua Frente”, filme do israelense radicado no país Moshé Mizhari. A trama mostra uma ex-prostituta judia sobrevivente de Auschwitz que cuida de filhos de prostitutas em Paris. Na edição de 1979, “Preparem Seus Lenços”, de Bertrand Blier, e estrelado por Gerard Depardieu, foi premiado por trazer uma comédia romântica que fala sobre amor e depressão.

Bergman levou Suécia à consagração no Oscar

“A Fonte da Donzela” (Foto: Divulgação)

O diretor Ingmar Bergman colocou a Suécia no mapa dos países que conseguiram uma “dobradinha” entre vencedores do Oscar de Melhor Filme Internacional na década de 1960. O cineasta ganhou o prêmio primeiramente com “A Fonte da Donzela”, na edição de 1961. O filme é ambientado na Idade Média, e traz uma jovem que é morta por dois pastores de cabra a caminho de uma fonte.

Em 1962, Bergman voltou a ganhar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por seu “Através de Um Espelho”. O drama psicológico traz a história de uma mulher esquizofrênica que passa férias numa ilha com sua família.

Dinamarca teve salto em grande estilo no Oscar

“A Festa de Babette” (Foto: Divulgação)

A Dinamarca demorou muitos anos para sentir o sabor de vencer um Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Mas depois veio em grande estilo.

Na edição de 1988, Gabriel Axel se consagrou por seu “A Festa de Babette”, filme ambientado no século XIX. A história mostra uma mulher que se emprega como cozinheira na casa de duas solteironas filhas de um pastor rigoroso. Após viver por 14 anos no local, ela descobre que ganhou na loteria e, em vez de voltar para Paris, sua terra natal, ela decide promover uma festa em homenagem ao centenário do pastor.

No ano seguinte, a Dinamarca voltou a ter um representante vitorioso no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com “Pelle, O Conquistador”. Dirigido por Bille August, o filme se passa no século XIX e traz a história de imigrantes suecos que tentam viver na Dinamarca.

A trajetória de “O Agente Secreto”

Wagner Moura está indicado ao prêmio de Melhor Ator por “O Agente Secreto” (Foto: Victor Jucá)

Em sua reta final de trajetória antes do Oscar, “O Agente Secreto” vem trazendo números expressivos. São mais de 70 prêmios em festivais no Brasil e no mundo.

Além disto, levou até o momento 2,5 milhões de espectadores aos cinemas. Desde seu lançamento, segue entre os dez títulos mais assistidos do Brasil. O filme está indicado em quatro categorias do Oscar: Melhor Filme Internacional, Melhor Direção de Elenco, Melhor Ator (com Wagner Moura) e Melhor Filme.

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