
A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta quarta-feira que “Feito Pipa” é o representante no Brasil na busca pelo Oscar de Melhor Filme Internacional. E o filme de Allan Deberton tenta um feito histórico.
Uma das mais tradicionais cerimônias do cinema do país pode ver pela primeira vez o cinema brasileiro ter três indicações consecutivas ao Oscar de Melhor Filme Internacional.
Brasil marcou época nas edições anteriores do Oscar

Na edição de 2025, o cinema brasileiro conseguiu um feito gigantesco. Pela primeira vez, foi indicado para a categoria de Melhor Filme. Além disto, concorreu a Melhor Filme Internacional e viu Fernanda Torres ser indicada ao prêmio de Melhor Atriz.
O esperado Oscar de Melhor Filme Internacional veio para “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles.
O ano seguinte trouxe mais um momento arrebatador. Prestigiado após prêmios em Cannes e as vitórias no Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Drama (para Wagner Moura), “O Agente Secreto” foi indicado a quatro categorias do Oscar. Além de Melhor Filme Internacional, a obra foi indicada para Melhor Direção de Eleneo (categoria inédita), Melhor Ator (com Wagner Moura) e Melhor Filme. Apenas “Cidade de Deus”, em 2004, tinha alcançado o mesmo número de indicações.
Alemanha Ocidental foi o primeiro país que emplacou indicações ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro consecutivas

O primeiro país que emplacou três indicações ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro foi a Alemanha Ocidental. Em franca produção no pós-guerra, o país viu “O Cabo de Koepenick”, de Helmut Katner, ser indicado em 1957.
Na edição de 1958, “Nachts”, de Robert Siodmak, foi indicado. No ano seguinte, a Alemanha Ocidental também teve um representante entre os finalistas: “Helden”, de Franz Peter Wirth.
O diretor italiano Federico Fellini teve dois de seus filmes vencedores nestas categorias: “A Estrada da Vida”, em 1957, e “Noites de Cabiria”. O francês “Meu Tio”, de Jacques Tati, venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Época de Ouro do México chega ao Oscar

O início da década de 1960 marcou a época de ouro do cinema mexicano. E o país emplacou indicações consecutivamente no Oscar.
Em 1961, o representante foi “Macario”, de Roberto Gavaldón, enquanto em 1962 coube a “Ánimas Trujano”, de Ismael Rodríguez, ser o filme mexicano que estava na luta pelo prêmio. Porém, nas duas edições, a estatueta do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro foi para filmes suecos: em 1961, com “A Fonte das Donzelas”, e em 1962, com “Através de Um Espelho”.

Em 1963, o Brasil pela primeira vez teve uma obra indicada a Melhor Filme Estrangeiro. Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, “O Pagador de Promessas” teve como um de seus concorrentes na disputa um filme mexicano: “Tiayucan”, de Luis Alcorza. O vencedor da categoria foi o francês “Sempre Aos Domingos”.
Fellini e De Sica: fase de destaque do cinema italiano

A força do cinema italiano pelo mundo mundo afora ficou refletida no Oscar. Foram cinco indicações consecutivas para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Em 1963, “Quatro Dias de Rebelião” ficou entre os finalistas, assim como “O Pagador de Promessas”, mas acabou desbancado por “Sempre Aos Domingos”. O ano seguinte foi histórico.
Em 1964, “Oito e Meio”, clássico de Federico Fellini, levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro para a Itália. Vitorio de Sica foi premiado na mesma categoria no ano seguinte, por seu “Ontem, Hoje e Amanhã”.
Em 1966, Vitorio de Sica ainda concorreu com “Casamento À Italiana” no ano seguinte, mas viu o filme “A Pequena Loja da Rua Principal”, da Tchecoslováquia, ser premiado.
“A Batalha de Argel”, de Gildo Pontecorvo, concorreu ao Oscar em 1967. Porém, o vencedor foi “Um Homem E Uma Mulher”, de Claude Lelouch.
Cinema francês tem lembranças de indicações consecutivas

O intervalo entre a década de 1960 e 1970 marcou um momento de constância da França no Oscar. “Um Homem e Uma Mulher”, de Claude Lelouch, venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1967.
No ano seguinte, o diretor viu “Viver Por Viver” perder o prêmio para “Trens Estreitamente Vigiados”. Em 1969, “Beijos Roubados”, de François Truffaut, ficou entre os indicados, mas quem venceu a estatueta foi o soviético “Guerra E Paz”.
Em 1970, “Minha Noite Com Ela”, de Éric Rohmer disputou o prêmio. No entanto, “Z – A Orgia do Poder” venceu o Oscar. No ano seguinte, “Höa Bihn”, de Raoul Coutard, foi superado por “Investigação Sobre Um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita”, da Itália.
Tchescolováquia consegue sequência significativa

A década de 1960 foi marcante também para a então Tchecoslováquia. O país teve a vitória de “Pequena Loja da Rua Principal”, de Jan Kadar e Elman Klos, em 1966, e “Trens Estreitamente Vigiados”, de Jiri Menzel, em 1968.
Além disto, teve indicações em “Os Amores de Uma Loira”, de Milos Forman,
Nova sequência francesa… e com boas lembranças

A década de 1970 trouxe novos momentos nos quais a França teve uma era marcante no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. “O Discreto Charme da Burguesia”, de Luis Buñuel, e “A Noite Americana”, de François Truffaut, receberam estatuetas nos anos de 1973 e 1974, respectivamente.
“Lacombe Lucien”, de Louis Malle, foi indicado em 1975. O vencedor foi “Amarcord”, clássico de Federico Fellini.
“Amarcord”: o grande sucesso da incrível sequência italiana

Clássico de Federico Fellini que mostra excentricidades de uma família, “Amarcord” deu um novo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro para a Itália em 1975. Os italianos tornaram a disputar nas duas edições seguintes.
O diretor Dino Risi levou a Itália a concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1976 por “Perfume de Mulher” (o roteiro mais tarde foi adaptado para o filme americano de Martin Brest protagonizado por Al Pacino). O vencedor da categoria foi “Dersu Uzala”, de Akira Kurosawa, que era japonês mas na época representava a União Soviética.
Em 1977, “Pasqualino Settebellezze” representou a Itália na categoria. O vencedor foi “Negros E Brancos Em Cores”, da Costa do Marfim. “Um Dia Muito Especial”, em 1978, de Ettore Scola, “Os Novos Monstros”, de Ettore Scola, Dino Risi e Mario Monicelli, e “Encontro Marcado Em Veneza”, de Franco Busati, fizeram uma incrível sequência de indicações da Itália.
Novo grande momento da França

A França continuou a ter espaço entre os indicados do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro entre as décadas de 1970 e 1980. O país recebeu a estatueta em “Madame Rosa – A Vida À Sua Frente”, de Moshé Mizhari, e “Preparem Seus Lenços”, nos anos de 1978 e 1979, respectivamente.
Depois foi indicado por “Uma História Simples”, de Claude Sautet, em 1980, e em 1981, por “O Último Metrô”, de François Truffaut.
Na década de 1980, teve mais uma sequência. Em 1986, foi representado por “Três Homens E Um Bebê”, filme de Coline Sarreau que mais tarde recebeu uma releitura americana muito bem-sucedida “Três Solteirões E Um Bebê”. O vencedor foi o argentino “A História Oficial”.
Em 1987, “Betty Blue”, de Jean-Jacques Beineix, foi derrotado pelo holandês “O Ataque”. Louis Malle voltou a concorrer ao Oscar com “Adeus, Meninos”, mas a estatueta ficou com o dinamarquês “Pelle, O Conquistador”.
Projeção da Espanha na década de 1980

A Espanha viu seu cinema ficar ampliado no exterior com o primeiro Oscar de Melhor Filme Estrangeiro da história, concedido a “Começar de Novo” em 1983. A obra foi dirigida por José Luis Garci.
Nos anos seguintes, a presença espanhola na premiação se consolidou com as indicações de “Carmen”, de Carlos Saura (que, em 1984, viu “Fanny e Alexander”, de Ingmar Bergman, sair vitorioso) e com mais uma presença de José Luis Garci: em 1985, por Sessão Contínua”. “Fora de Controle”, da Suíça, foi o vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro daquela edição.
Clássico abre caminho para nova sequência de destaque da Itália no Oscar

O ano de 1990 trouxe mais um momento no qual o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro ampliou a consagração de um filme comovente. “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore, marcou uma sequência na qual os italianos continuaram a ter destaque.
Em 1991, “Mediterraneo”, de Gabrielle Salvatores e Enzo Montaleone, deram mais um Oscar para a Itália. No ano anterior “Portas Abertas”, de Gianni Amelio, ficou entre os cinco finalistas, mas “Jornada da Esperança”, da Suíça, foi o vencedor.
Almodóvar consagra sequência de indicações da Espanha

Após muitas décadas, a Espanha voltou a emplacar uma sequência de três indicações ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Em duas delas, o país teve como concorrentes filmes brasileiros.
Em 1998, “Segredos do Coração”, de Montxo Armendáriz, disputou o Oscar com “O Que É Isso, Companheiro?”. “Karakter”, da Holanda, venceu a estatueta.
No ano de 1999, foi a vez de “O Avô”, de José Luis Garci, concorrer com “Central do Brasil”. O italiano “A Vida É Bela” venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Em 2000, veio a consagração com Pedro Almodóvar levando o Oscar por “Tudo Sobre Minha Mãe”.
Israel consegue sequência de indicações

Na década de 2000, Israel teve uma repercussão interessante aos olhos da Academia. Drama de guerra, “Beaufort”, de Joseph Cedar, ficou entre os indicados do Oscar de 2008. A estatueta ficou com o austríaco “Os Falsários”.
Documentário animado, “Valsa Com Bashir”, de Ari Folman, foi indicado no ano seguinte. O vencedor foi o japonês “A Partida”. Em 2010, “Ajami”, de Scandar Copti e Yaron Shani, ficou entre os finalistas. O argentino “O Segredo dos Seus Olhos” foi o premiado.