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Cinema e TV

“Camisas Negras”: filme que resgata pioneiro time do Vasco está para chegar às telas. Saiba mais!

Obra que resgata equipe do Vasco de 1923 chegará aos cinemas em 19 de novembro
Vinicius FaustiniPor Vinicius Faustini19 de outubro de 2026
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Uma das histórias mais marcantes do futebol brasileiro  será resgatada nas telas. Dirigido por Jeferson Mello, “Camisas Negras” estreia em 19 de novembro, com um docudrama que parte da trajetória do Vasco no início da década de 1920 para abordar o racismo no futebol.

O Vasco entrou para a história ao conquistar o Campeonato Carioca de 1923 com um time formado majoritariamente por jogadores negros, trabalhadores e de origem popular. 

Equipe do Vasco ficou para a posteridade

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 O Vasco foi campeão carioca em 12 de agosto de 1923, com uma rodada de antecedência. O Cruz-Maltino derrotou grandes clubes da época, como Flamengo e Botafogo. As equipes fundaram uma nova liga e exigiram a saída de 12 jogadores do Vasco, negros e trabalhadores, vindos das camadas populares, sob pretexto de que os mesmos não tinham “perfil adequado para o esporte e ainda menos, valor moral”.

José Augusto Prestes, presidente do Vasco na época, recusou-se a acatar a exigência de desfazer o elenco, retirou o clube da nova liga por meio de um documento que ficou conhecido como a Resposta Histórica de 1924. Os vascaínos  jogaram uma liga alternativa naquele mesmo ano e foram bicampeões.


O filme traz no elenco Juan Paiva , Sergio Malheiros, Bruno Mazzeo, Thelmo Fernandes, Roberto Birindelli, Antonio Fragoso, Rodrigo Candelot e Claudio Paiva.

Diretor parte da história dos “Camisas Negras” do Vasco para abordar racismo

(Foto: Divulgação)

O diretor Jeferson Mello contou o que o motivou a contar a história de “Camisas Negras”, time pelo qual era conhecido o Vasco em seus primeiros anos no futebol. A obra intercalará cenas dramatizadas com depoimentos.

-A ideia surgiu da necessidade de investigar como o racismo atravessa o tempo e permanece presente tanto no futebol quanto na vida cotidiana da população negra. Embora a história retratada no filme tenha suas raízes há mais de cem anos, meu principal questionamento durante a realização da obra foi perceber o quanto essas estruturas de exclusão e discriminação continuam vivas na sociedade contemporânea – disse.

O diretor também detalha o processo de trabalho de pesquisa e produção para a realização do filme: 

-Por essa razão, optei por uma linguagem híbrida, combinando documentário e ficção. Esse formato me permitiu estabelecer um diálogo entre passado e presente, memória e realidade, mostrando que os acontecimentos vividos pelos Camisas Negras não pertencem apenas à história. Eles ecoam nas experiências de milhões de pessoas negras que ainda enfrentam o racismo em diferentes espaços da vida social – e destacou:

-Ao longo da produção, percorri seis países, buscando construir uma visão global sobre o tema e compreender como as diferentes manifestações do racismo estão conectadas. Essa jornada ampliou a perspectiva do filme e reforçou a percepção de que, embora os contextos mudem, os mecanismos de exclusão racial continuam produzindo impactos semelhantes em diversas partes do mundo”, detalha Jeferson.

Para Jeferson, o filme possui a missão de ser uma produção que conduz o olhar do espectador para além da arte e do amor de uma torcida, mas de consciência coletiva, de entendimento sobre o que não cabe mais na contemporaneidade a respeito de segregação racial, preconceito e direitos: 

-Mais do que denunciar injustiças, meu objetivo foi utilizar a linguagem cinematográfica como instrumento de transformação. Acredito que o cinema possui a capacidade de gerar identificação, provocar reflexão e estimular mudanças. Nesse sentido, “Camisas Negras” é também uma contribuição para a luta antirracista, não apenas dentro do universo do futebol, mas em todas as dimensões da vida cotidiana do povo negro. Espero que o filme incentive o público a refletir sobre a persistência dessas desigualdades e sobre a necessidade de construir uma sociedade mais justa, consciente e comprometida com a igualdade racial – afirmou.

O longa dá continuidade à trajetória autoral do diretor, voltada à investigação da diáspora africana e da ancestralidade, temática também presente em seus trabalhos anteriores, como os documentários “Samba Jazz Rio e New Orleans” e “Razões Africanas” . Em “Camisas Negras”, a reflexão ganha nova dimensão ao focar no esporte e nas estruturas sociais que historicamente determinaram a ocupação dos espaços pela população negra.

Rio de Janeiro - RJ
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