
O início da campanha eleitoral de 2026 proporcionou uma iniciativa do setor audiovisual. Nesta segunda-feira foi criada a Bancada da Pipoca, ação apartidária que certifica candidaturas à Presidência da República, ao Senado e à Câmara dos Deputados comprometidas com uma agenda de políticas públicas para o cinema e o audiovisual.
A Bancada da Pipoca determina que quem aderir às suas ideias assina os compromissos, recebe um selo oficial e passa a integrar uma plataforma pública de consulta, disponível no site da Bancada da Pipoca.
O que motivou o surgimento da Bancada da Pipoca

A Bancada da Pipoca nasce do reconhecimento do audiovisual como uma atividade estratégica para o desenvolvimento do país, impactando diretamente a geração de emprego e renda, a inovação tecnológica e a projeção internacional da nossa cultura. A indústria audiovisual tem lugar especial dentro dos setores culturais. O intuito é garantir que o setor deixe de ser pauta de ações pontuais e passe a ser tratado como uma política de Estado, com planejamento de longo prazo, previsibilidade e continuidade.
-O audiovisual é uma área importante da indústria, tanto por seu caráter econômico, como por seu caráter cultural e potencial simbólico. Precisamos de uma verdadeira política de estado para seu desenvolvimento, e não apenas ações intermitentes de governo. A Bancada da Pipoca tem como objetivo organizar o campo político, com candidaturas que se comprometam a lutar pelo desenvolvimento social e econômico do nosso setor – disse Matheus Peçanha, diretor sudeste da Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API).
O setor movimenta cerca de R$ 27 bilhões por ano, equivalente a 0,5% do PIB, gera mais de 300 mil empregos diretos e indiretos e recolhe aproximadamente R$ 9 bilhões anuais em tributos. Segundo a consultoria internacional Olsberg/SPI, até 67% dos custos de uma produção audiovisual são direcionados a outros segmentos da economia, e a atividade impulsiona cerca de 60 setores, de turismo e transporte a tecnologia e alimentação. Ainda assim, o segmento independente convive com descontinuidade de políticas públicas, insegurança regulatória e dificuldade de acesso a financiamento.
Bancada da Pipoca é construída a partir de cinco eixos

As candidaturas aderem à Política Consensual do Cinema e do Audiovisual, feita a partir de demandas profissionais, produtoras independentes, entidades representativas e trabalhadores de cultura. A agenda é organizada em cinco eixos:
- Regulação, Direitos e Segurança Jurídica
- Financiamento, Desenvolvimento Econômico e Inovação
- Internacionalização e Inserção Global
- Trabalho, Formação e Pluralidade
- Infraestrutura, Difusão e Memória Audiovisual
A partir destes eixos, abrem caminho para compromissos específicos para o Legislativo e para o Executivo. O setor pede a aprovação da regulação dos serviços de streaming, hoje travada no Senado, o descontingenciamento das receitas do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), a regulação da inteligência artificial nas indústrias criativas, com proteção a direitos autorais e propriedade intelectual, a ratificação dos acordos de coprodução internacional já assinados, a revisão dos pontos da reforma tributária que geram insegurança para o setor e um regime especial de proteção social para trabalhadores da cultura.
-“A Bancada da Pipoca é uma ferramenta importante não somente para buscar adesão de candidaturas político-partidárias ao fortalecimento do audiovisual brasileiro, mas também para já iniciar a construção de uma nova frente parlamentar de apoio ao cinema e audiovisual no congresso nacional”, comenta Mauro Garcia, presidente executivo da BRAVI.
Como funciona a adesão na Bancada da Pipoca?

A candidatura se cadastra no site com os mesmos dados registrados na Justiça Eleitoral. A equipe da iniciativa confere as informações antes de liberar o selo e incluir o nome na plataforma. Até 17/08/2026, 20 candidaturas tinham aderido, de 7 partidos e 4 estados. Segundo as entidades, os números confirma o caráter suprapartidário da agenda. Eleitoras e eleitores podem filtrar a lista por cargo e por estado, e também gerar um selo de apoio para publicar nas redes sociais.
As entidades realizadoras reúnem:
ABRA – Associação Brasileira de Autores Roteiristas · ABRACI – Associação Brasileira de Cineastas · ABRANIMA – Associação Brasileira de Empresas Produtoras de Animação · API – Associação dos Produtores Independentes de Audiovisual · APACI – Associação Paulista de Cineastas · BRAVI – Brasil Audiovisual Independente · CONNE – Conexão Audiovisual Centro-Oeste, Norte e Nordeste · SICAV – Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual.