O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) é um dos tributos anuais mais criticados pelos proprietários de carros, motos, caminhões e demais veículos automotores no Brasil. A cada início de ano, muitos brasileiros se surpreendem com o valor a pagar, gerando debates acalorados nas redes sociais e manchetes de portais de notícia. Mas por que o IPVA é considerado “tão caro”? A resposta envolve fatores econômicos, tributários e até administrativos.

O IPVA é um imposto estadual, ou seja, cada estado – inclusive o Distrito Federal – tem competência para cobri-lo e definir suas próprias alíquotas, dentro dos limites legais. A base de cálculo é o valor venal do veículo, uma estimativa de mercado que normalmente é consultada pela Tabela FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), adotada como referência pelos estados brasileiros.
- 4% em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais (dentre os mais altos do país);
- 2% a 3,5% em estados com políticas fiscais mais moderadas;
- 1,9% a partir de 2026 no Paraná, que agora tem a menor alíquota do país.
Essa variação explica por que dois proprietários de carros iguais podem pagar valores de imposto muito diferentes. A autonomia fiscal dos estados significa que o IPVA acaba refletindo escolhas político-orçamentárias locais e também necessidades de arrecadação.
O valor do veículo sobe e o IPVA sobe junto
Diferentemente de outros tributos fixos (como uma taxa de licenciamento padrão), o IPVA aumenta automaticamente quando o preço do veículo sobe de mercado. Se um modelo valorizou 20% no ano, o imposto que incide sobre ele também aumenta proporcionalmente. Isso aconteceu em anos recentes, especialmente quando a escassez de oferta elevou o preço dos carros usados e zero-km no país.
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Ou seja, o brasileiro experimenta uma “segunda tributação” sobre um bem que já é onerado na compra.
Alta carga tributária no Brasil
A forte carga tributária brasileira impacta o custo de vida e de posse de um carro sobre vários aspectos: desde os impostos sobre produção e importação até tributos como IPI, ICMS e PIS/Cofins que encarecem o preço do veículo. Isso significa que, além do alto valor de compra, o proprietário ainda arca com o imposto anual. Embora o IPVA seja um tributo específico, ele se soma a uma estrutura tributária pesada no país.

Diferente do que muitos pensam, o imposto não tem mais uma vinculação exclusiva à manutenção de vias, estradas e rodovias. A regra atual é de que os recursos sejam considerados receita geral dos entes federativos e usados conforme a necessidade orçamentária. No caso específico do Rio de Janeiro, a divisão do bolo arrecadado costuma seguir este modelo:
- 20% dos recursos do IPVA vão para o FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), usado para financiar a educação pública básica, valorização dos profissionais da educação, manutenção de escolas etc.
- Os 80% restantes são divididos igualmente entre o governo do Estado e o município onde o veículo está registrado. Ou seja, 40% para o Estado e 40% para o município.
Com isso, os governos estaduais e municipais têm liberdade para aplicar os recursos de acordo com as prioridades locais: saúde, segurança, infraestrutura, educação, entre outros.
Metodologia de cálculo considerada ‘injusta‘ por parte da população
Uma das maiores críticas dos motoristas é a base de cálculo: usar o valor venal do veículo como referência para um imposto anual resulta em tributos crescentes conforme o preço do carro. Alguns especialistas e cidadãos defendem que um modelo alternativo, como taxar pelo peso, pela emissão de poluentes ou por uma taxa fixa, poderia ser mais justo. Essa visão crítica é frequentemente expressa nas redes e em fóruns públicos.

Diferenças regionais reforçam a sensação de injustiça
Estados com maiores alíquotas refletem políticas fiscais específicas, muitas vezes atribuídas à necessidade de sustentar serviços públicos estaduais. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a alíquota de IPVA pode atingir 4% sobre o valor do veículo, um dos maiores patamares entre os estados brasileiros.
Quem se muda de estado ou registra um veículo em outro estado com alíquota menor (como o Paraná, que recentemente anunciou redução significativa para 1,9%) percebe diferenças substanciais no imposto.
Críticas e alternativas em debate
Economistas e especialistas em tributação sugerem que o atual modelo de imposto poderia passar por revisões estruturais, inclusive propostas dentro da reforma tributária em discussão no Brasil. Essas reformas buscam simplificar o sistema fiscal e reduzir ineficiências, embora ainda não exista consenso sobre mudanças específicas ao IPVA.