
O Centro do Rio de Janeiro é repleto de lugares e construções com histórias curiosas. Um deles é marcado por ter diversas fases em sua história.
Trata-se do Cine Íris, localizado na Rua da Carioca. O cinema, que ocupa uma grande área da região, vivenciou diversos momentos na Cidade Maravilhosa.
De Soberano a Cine Íris: a ampliação do cinema

Durante anos considerado o mais antigo cinema em atividade no Rio de Janeiro, o Cine Íris teve um início com muita pompa. O prédio foi projetado por Paulo de Frontin (responsável por obras marcantes da capital, como o alargamento da Avenida Atlântica e das construções das Avenidas Delfim Moreira e Niemeyer).
A inauguração aconteceu em 30 de outubro de 1909, por João Cruz Junior. Seu primeiro nome foi Cinematographo Soberano, em homenagem a um dos cavalos do proprietário. O cinema tinha 200 lugares, e estrutura em art nouveau já ostentava em seu interior, entre outras coisas, azulejaria importada da Bélgica.
O local tinha espaço inicialmente para duas orquestras, uma na sala de espera e outra no interior da sala de projeção. Em 1911, Cine Soberano se tornou um cine-teatro, e passou a abrigar operetas. Poucos anos depois, o prédio mudou de nome para Theatro Victoria, alternando sua programação entre filmes e peças.
Em 1921, o cinema ganhou de vez a forma pela qual ficou conhecido. O espaço teve sua capacidade ampliada para 1.200 pessoas e seu nome foi mudado para Cine Íris, devido ao painel de uma deusa que ficava na entrada do cinema.
Figuras ilustres passam pelo Cine Íris

O Cine Íris viveu momentos áureos no início do século XX. Compositor de clássicos do quilate, “Aquarela do Brasil” e “No Rancho Fundo”, Ary Barroso era empregado do local, como o pianista que fazia o acompanhamento dos filmes mudos exibidos nas telas.

O político e advogado Rui Barbosa era frequentador assíduo do Cine Íris. A “Águia de Haia” chegou a ter cadeira cativa na sala, com suas iniciais gravadas.
Mesmo em suas diversas fases, a gestão do estabelecimento sempre ficou nas mãos da família do fundador João Cruz Junior.
De artes marciais a filmes pornográficos: a resistência do Cine Íris

Com o decorrer das décadas, o Cine Íris lidou com mudanças para tentar sobreviver em meio à concorrência com cinemas de rua. Na década de 1970, os fundadores passaram a exibir filmes de artes marciais e de faroeste. A programação também incluiu a exibição de seriados na tela.
No fim da década de 1970, o Cine Íris foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC). Nesta época, o local apostava em pornochanchadas para atrair o público.
Em meio ao temor da falência, na década de 1980, o Cine Íris se tornou um “cinema poeira”. O local passou a exibir filmes pornográficos . Em seguida, incluiu na sua programação shows de striptease. Seu público reunia homens de meia idade, idosos, homossexuais e travestis.
Em paralelo, o Cine Íris chegou a abrigar shows de rock e raves. O local já foi palco de cenas dos filmes “Madame Satã”, de Karim Aïnouz, e “Olga”, de Jayme Monjardim.
Marcado por histórias, o Cine Íris foi fechado em julho de 2025 para reformas. Após uma breve reabertura em agosto, o cinema novamente foi interditado, devido a problemas estruturais.