
O Brasil está no embalo do Carnaval. E os olhos dos foliões de todo o mundo se voltam para uma região do Rio de Janeiro.
Trata-se do Sambódromo, que desde 1984 abriga as emoções do desfile das escolas de samba do Carnaval do Rio de Janeiro. Não faltam histórias em torno desta passarela do samba.
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Como era o Carnaval carioca antes do Sambódromo?

Inicialmente, o Carnaval era realizado na Praça Onze, no limite do bairro com a Cidade Nova (local onde fica o atual Sambódromo). Porém, a partir da década de 1940, os desfiles passaram a ser realizados na Avenida Presidente Vargas e na Avenida Rio Branco.
À medida que os desfiles foram se popularizando, houve alguns ajustes na região. Um deles foi a utilização de arquibancadas.
O surgimento de um espaço dedicado ao desfile das escolas de samba entrou em pauta definitivamente em 1982, com a eleição de Leonel Brizola
O Sambódromo sai do papel

A mobilização para erguer o Sambódromo foi intensa. Vice de Brizola, Darcy Ribeiro idealizou o espaço. O arquiteto Oscar Niemeyer projetou como seria a estrutura da região.
Em outubro de 1983, as obras tiveram início a toque de caixa. Três empreiteiras e milhares de operários trabalhando em um ritmo intenso, se revezando em três turnos 24 horas por dia. A obra foi dividida em setores, e cada empresa ficou como responsável por um trecho.
Em 2 de março de 1984, a obra estava pronta. O apelido de Sambódromo foi dado por Darcy Ribeiro.
“Pioneira”, escola de Jacarepaguá decepciona no Sambódromo

A primeira escola de samba a entrar no Sambódromo veio de Jacarepaguá. Trata-se da Império do Marangá, integrante do Grupo 1-B (hoje equivalente à Série Prata).
O tema da escola foi “Águas Lendárias”. Mizinho interpretou o samba de autoria de Vanderlei, Antônio Carlos, Paulinho e Carlito Cavalcante.
Só que a escola não guardou boas lembranças para os foliões. Foram 45 minutos de atraso até entrar na Marquês de Sapucaí. Além disto, integrantes desfilaram com problemas na alegoria. A escola perdeu cinco pontos e foi rebaixada.
O Império do Marangá nunca mais desfilou no Sambódromo. A escola de samba seguiu em atividades, até “enrolar bandeira” em 1999.
Portela e Mangueira se sobressaem no Sambódromo

O histórico desfile de 1984 no Sambódromo trouxe um regulamento curioso. O fato de ser dividido em dois dias promoveu que uma escola saísse como campeã da noite de domingo e outra escola saísse como vencedora do desfile de segunda-feira.
Na noite de domingo, quem se destacou foi a Portela. Os portelenses arrebataram a noite com o tema “Contos de Areia”, no qual reverenciaram Paulo da Portela, Natal da Portela e Clara Nunes. O trio foi para a avenida simbolizado por Oranian, Oxóssi e Iansã, respectivamente.
Na noite de segunda-feira, a Mangueira emocionou as arquibancadas com uma homenagem ao compositor Braguinha, “Yes, Nós Temos Braguinha”. O samba de Jurandir, Hélio Turco, Arroz, Comprido e Jajá teve interpretação de Jamelão. Além dos carros alegórico, Braguinha, visivelmente emocionado, desfilou na avenida.
Mangueira ganha Supercampeonato

Em uma conduta que nunca mais aconteceu na história dos desfiles, houve posteriormente uma nova disputa. No sábado, as escolas voltaram para o desfile que valia o Supercampeonato. E a Mangueira saiu como a vencedora.