
O Rio de Janeiro também é marcado por momentos dolorosos. Um deles acaba de completar 40 anos.
Em 17 de fevereiro de 1986, o Edifício Andorinha, localizado no Centro do Rio, era abalado por um incêndio que trouxe muita tristeza à Cidade Maravilhosa.
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Fogo no Edifício Andorinha: pânico e tragédia no Centro

A tragédia teve início em uma esquina muito movimentada no Centro do Rio de Janeiro: das rua Almirante Barroso com a Avenida Graça Aranha. Na parte da tarde, o fogo tomou conta do nono andar do Edifício Andorinha, onde ficava um dos escritórios da General Eletric.
O mau contato causado na tomada no rodapé de uma sala deu início ao aumento de temperatura. Houve um curto-circuito em um ar condicionado e aqueceu o rodapé e o carpete.
O pânico diante do incêndio no edifício localizado no Centro do Rio escancarou muitas precariedades. Havia um grande número de bombeiros para combater as chamas, mas isto não foi suficiente.
O edifício tinha 13 andares e 624 salas e 1.500 pessoas passavam pelo Edifício Andorinha. As condições da escada magirus e das mangueiras não eram suficientes para atingir os andares mais altos.
Além disto, o Edifício Andorinha era antigo (foi construído em 1929 e inaugurado em 1934). Não havia portas corta-fogo e áreas de escape.
Centro é tomado por ambiente desesperador do Andorinha

O cenário caótico levou a cenas tenebrosas que marcaram o Rio de Janeiro. Duas pessoas se atiraram pela janela do 12º andar.
A tragédia ainda levou a ações contra o Governo do Estado, o condomínio do edifício e a General Eletric. Muitas das portas corta-incêndio estavam trancadas. Com o fogo e a sucessão de erros, o triste saldo foi de 21 pessoas mortas e 50 feridas. Mesmo assim, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) realizou uma das maiores operações de emergência da época que evitou que a tragédia fosse ainda mais extensa.
O painel do artista Belmiro de Almeida, localizado na portaria, também foi preservado.
Incêndio no Andorinha comove cronista

Um dos principais cronistas do país, Otto Lara Resende escreveu em sua coluna sobre o incêndio no Edifício Andorinha, no Centro. Na edição de “O Globo” do dia 23 de fevereiro de 1986, seu texto “Prova de Fogo” falou sobre o prédio.
Otto recordou que 11 dias antes da tragédia esteve no Edifício Andorinha para fazer sua prova de vida. Além disto, opinou sobre desdobramentos do incêndio e foi categórico:
“Mas o incêndio do Andorinha, sendo uma tragédia lastimável, vale como advertência não só para o Rio, como para todo o Brasil – um pais que pede urgentemente um atestado de vida mais segura e mais decente para todos”.
Novo edifício… mas velhas lembranças no Centro?

O Edifício Andorinha foi demolido em 1994. Em seu lugar foi erguido o Torre Andorinha, prédio moderno de 36 andares e destinado a funcionários da Petrobras desde 2005. E desde então correram lendas em torno da construção localizada no Centro.
De acordo com relatos divulgados por “O Globo”, há barulhos estranhos nos corredores e em salas vazias. Além disto, torneiras abrem sozinhas, portas corta-fogos são abertas, passos são ouvidos e até vultos são encontrados pelo local que abriga 3,7 mil pessoas que trabalham na estatal.
Passados 40 anos, as lembranças de luto, de comoção e de cuidado em torno da tragédia do Andorinha.