
Os bairros do Rio de Janeiro são marcados por terem características bastantes peculiares. Porém, um deles quis mudar sua ligação quanto à Cidade Maravilhosa.
Uma das Histórias do Rio mais curiosas vem do fim da década de 1980. Em 1988, com a Barra da Tijuca em alto desenvolvimento, surgiu um movimento separatista para que o bairro fosse emancipado e se tornasse um município do Rio de Janeiro.
Ideia da “independência” da Barra da Tijuca leva a plebiscito

A mobilização teve início por questões financeiras. Os moradores da Barra da Tijuca discordavam dos valores dos impostos pagos. Os defensores do movimento separatista queriam autonomia administrativa.
Além disto, moradores da Barra da Tijuca consideravam que a Prefeitura do Rio de Janeiro havia abandonado o bairro da Zona Oeste.
O movimento pela separação da Barra da Tijuca levou a um abaixo-assinado que reuniu milhares de nomes de moradores do bairro. O documento motivou um debate na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) e culminou na proposta de um plebiscito sobre o assunto. No dia 3 de julho de 1988, cerca de 47 mil eleitores que moravam no bairro foram convidados a votar afirmando se, “sim”, concordavam com a emancipação do bairro ou, “não”, eram contra a transformação da área em um município.
Apoio de peso por emancipação da Barra da Tijuca

A busca para que a Barra da Tijuca se tornasse um município teve um apoio de peso. Criador do Rock In Rio, Roberto Medina foi um dos principais articuladores da campanha “Barra Livre”
O publicitário pedia a “independência” da Barra da Tijuca, dizendo que a gestão de Saturnino Braga abandonava a região.
– A Barra não tem asfalto, é mal iluminada, não tem esgoto, as praias estão poluídas e os lagos, assoreados. Há um processo de favelização avassalador. Há sete anos, a Barra tinha duas favelas, e, agora, são 28 – afirmou, em entrevista a “O Globo”.
Medina falava sobre o que a Barra da Tijuca poderia apresentar sob uma nova gestão:
-Foi a iniciativa privada que implantou a Barra. Fizemos uma carta-compromisso, definindo uma estrutura administrativa com cinco secretarias, privatização de serviços e concentrando sob a prefeitura apenas saúde e educação – disse.
Personalidades se dividiram sobre situação no bairro

Antes do plebiscito, o tema de uma possível emancipação da Barra da Tijuca chegou a tomar conta dos famosos que morava no bairro. Houve opiniões das mais diversas entre os moradores ilustres sobre a “Barra Livre”.
Astro do Flamengo, Zico demonstrou seu desejo de que o bairro se tornasse um município independente. Em evidência devido à série “Armação Ilimitada”, Kadu Moliterno e André de Biasi também eram favoráveis à mudança. Em compensação, a atriz Glória Pires, o cantor Ivan Lins, o compositor e produtor Ronaldo Bôscoli e o ator Stepan Nercessian eram resistentes à mudança.
Cabia a Vera Chevalier ser a porta-voz da Prefeitura do Rio de Janeiro no caso. Ela dizia que a Barra da Tijuca ainda não conseguira acompanhar o rápido crescimento da região entre os anos 1970 e 1980 e apontava que o separatismo não era a melhor solução.
-O mais relevante nesse debate é o esvaziamento político, cultural e territorial do Rio. Temos como encarar a proposta de separação como cidadãos cariocas. Não podemos aceitar o retalhamento da cidade – afirmou, a “O Globo”.
A Barra da Tijuca “permanece” no Rio de Janeiro

A campanha maciça não foi suficiente para mudar a situação da Barra da Tijuca. O quórum mínimo de eleitores não foi atingido no plebiscito.
Eram necessários pelo menos 23.978 eleitores para que o pleito fosse validado. Apenas 6.217 pessoas foram às urnas para dar uma definição.
O “sim” venceu com 5.785 votos, enquanto 354 pessoas votaram pelo “não” e outras 78 pessoas votaram em branco e nulo. Mesmo com o movimento separatista em vantagem, Barra da Tijuca seguia no Rio de Janeiro.
Zona Sudoeste: Barra da Tijuca passa por “mudança”

Em 2025, a Barra da Tijuca passou por uma mudança territorial bastante significativa aos olhos do Rio de Janeiro. O prefeito Eduardo Paes sancionou a lei para criar uma nova área na cidade, e incluiu o bairro na Zona Sudoeste.
A Barra da Tijuca se une aos seguintes bairros nesta nova divisão territorial: Recreio dos Bandeirantes, Barra Olímpica, Anil, Camorim, Cidade de Deus, Curicica, Freguesia, Gardênia Azul, Grumari, Itanhangá, Jacarepaguá, Joá, Praça Seca, Pechincha, Rio das Pedras, Tanque, Taquara, Vargem Grande, Vargem Pequena e Vila Valqueire. A proposta de dividir a Zona Oeste em duas foi uma iniciativa do vereador Dr. Gilberto (Solidariedade).
A proposta é corrigir uma lacuna administrativa. A área inclui duas das maiores orlas do Rio de Janeiro (Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes) e locais de preservação como Grumari, além de comunidades. Não há impacto imediato para os moradores