
A reflexão em torno do impacto das operações militares nas favelas do Rio de Janeiro chega aos cinemas nesta quinta-feira. Dirigido por Natasha Neri e Gizele Martins, o documentário “Cheiro de Diesel” traz as lembranças recentes das operações militares nas comunidades.
Com distribuição da Descoloniza Filmes, “Cheiro de Diesel” estreia em uma data simbólica. Em 5 de abril de 2014, houve a chegada das Forças Armadas na Favela da Maré, no Rio de Janeiro, iniciada há 12 anos (5 de abril de 2014) sob o pretexto de “pacificar” a região.
Veja o trailer de “Cheiro de Diesel”
“Cbeiro de Diesel” investiga os impactos das operações militares nas favelas do Rio de Janeiro, em especial durante o período dos grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, no qual diferentes territórios foram ocupados sob operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). O filme apresenta relatos de moradores de regiões como Maré, Penha e Morro do Salgueiro, e a consequência direta da presença militar no cotidiano dessas populações.
A narrativa reúne denúncias de violações de direitos, incluindo invasões a casas, escolas e unidades de saúde, além de episódios de revistas constantes e assassinatos.
Diretoras falam sobre o premiado “Cheiro de Diesel”

As diretoras apontam que os relatos mostrados em “Cheiro de Diesel” apontam como os efeitos desta operação seguem muito fortes:
-Os traumas são permanentes. Todas as pessoas têm muito viva a memória do tanque na sua porta, do cheiro do diesel, da tortura e da falta de informação – disse a cineasta Natasha Neri.
A diretora Gizele Martins, jornalista e comunicadora da Favela da Maré, premiada com o Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, traz outro detalhe. Aos seus olhos, a ocupação militar da Maré tornou-se uma base para ações semelhantes em outras favelas do Rio.
-“Este é um filme que retrata a minha própria realidade – e constatou:
– A democracia ainda é um sonho pra gente que vive nesses territórios – completou.
Gizele Martins aponta o que o documentário tenta destacar:
-A ideia é registrar esse período e convidar o espectador a refletir sobre essa cidade dividida – afirmou.
Natasha Neri completou:
-As Forças Armadas não são solução para a segurança pública – detalhou.
O filme participou de diversos festivais, e no Festival do Rio recebeu o Troféu Redentor em duas categorias: o Prêmio Especial do Júri e o prêmio de Melhor Documentário pelo voto popular.