
A semana foi marcada por uma novidade no streaming. Entrou no catálogo da Netflix a série “Emergência Radioativa”, que resgata o acidente com Césio-137 que abalou Goiânia no ano de 1987.
O maior acidente radiológico ocorrido no Brasil chegou à Netflix em uma produção que tem no elenco Johnny Massaro, Paulo Gorgulho e Leandra Leal. No entanto, esta não é a primeira vez que a tragédia com o Césio-137 é revisitada pela dramaturgia.
Filme retratou acidente radioativo com Césio-137

O desastre radioativo foi levado para as telas em 1990. O filme “Césio 137 – O Pesadelo de Goiânia” reconstituiu o rastro da contaminação.
Com roteiro feito a partir de depoimentos das vítimas da contaminação, o cineasta Roberto Pires construiu a história. A trama mostra quando dois catadores de papel entram em um prédio abandonado e descobrem uma peça de chumbo nas ruínas de um antigo hospital. Em seguida, a dupla leva a peça para um ferro velho.

O dono do ferro velho, Devair, ao lado de seus ajudantes, quebra a peça e decide ficar só com um recipiente. À noite, este recipiente brilha com uma cor azulada pelo pó do Césio-137. Entusiasmado, Devair mostra para sua esposa, Maria Gabriela, e para vizinhos, aumentando a trágica contaminação.
O elenco traz Nelson Xavier, Joana Fomm, Paulo Betti, Paulo Gorgulho, Denise Milfont, Marcélia Cartaxo e Thelma Reston. Ainda há breves participações de vítimas do acidente.
No Festival de Brasília de 1990, “Césio 137 – O Pesadelo de Goiânia” recebeu o Prêmio Especial do Júri, além dos prêmios de Melhor Atriz (para Joana Fomm), Melhor Atriz Coadjuvante (para Denise Milfont), Melhor Roteiro, Melhor Fotografia e Melhor Técnico de Som.
Curta-metragem aborda sequelas do Césio-137

A contaminação por Césio-137 voltou a ser retratada no cinema em um curta-metragem em documentário: “Césio 137 – O Brilho da Morte”. Dirigido por Luiz Eduardo Jorge, o curta de 2003 mostra as consequências da tragédia radiológica para as vítimas 15 anos depois da tragédia.
Em depoimentos comoventes são mostradas a discriminação, a segregação, além das dúvidas e das mortes que vieram em decorrência do Césio-137.
A dimensão da tragédia com Césio-137

A tragédia com Césio-137 começou a acontecer em 13 de setembro de 1987. Roberto dos Santos Alves e Wagner Mota Pereira entraram em um terreno desativado, no qual anteriormente funcionava o Instituto Goiano de Radioterapia (IGR). Dentro de uma peça de chumbo e aço que eles pegaram, havia um recipiente que continha 19,26g de pó de Césio-137.
A peça foi vendida a Devair Alves Ferreira, vendedor de um ferro-velho. Maravilhado com o pó azulado, ele passou a distribui-lo para amigos, parentes e vizinhos. Horas depois da exposição à radiação, as pessoas começaram a sentir náuseas, diarreia, vômitos e tonturas. Além disto, o Césio-137 adere com facilidade à roupa, à pele e a utensílios domésticos.
Algumas pessoas chegaram a ter consequências mais graves como queimaduras, perda de cabelo e lesões na pele.
Vítima direta com maior dose de radiação, Leide das Neves Ferreira tinha apenas 6 anos. A menina ingeriu 6 Gy (gray) da substância, e havia lavado as mãos antes de ingerir um ovo cozido. Gradualmente, ela sofreu inchaço no corpo, perdeu seu cabelo, teve hemorragia interna, danos nos rins e pulmões e acabou morrendo em 23 de outubro.
Os enterros de Leide e de Maria Gabriela Ferreira (a esposa de Devair também morreu em 23 de outubro) tiveram tumultos. As pessoas tentaram impedir a cerimonia por receio de contaminação. Dias depois, morreram Israel Baptista dos Santos, de 22 anos, e Admilson Alves de Souza, de 18 anos. Os mortos diretamente em virtude da exposição à radiação foram enterrados em caixões de 700kg de chumbo içados em guindastes.
No âmbito radioativo, o acidente com Césio-137 só não foi inferior ao acidente na usina nuclear de Chernobyl, em 1986, na então União Soviética, de acordo com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen).
“Emergência Radioativa”

A trama de “Emergência Radioativa” mostra a escalada da contaminação por Césio-137 por Goiânia. Cabe a Márcio, jovem físico interpretado por Johnny Massaro, ajudar a identificar os riscos da radiação que está nos primeiros momentos de crise. A luta é contra o tempo para salvar vidas.
A série ainda mostra famílias que foram afetadas pela radiação e o impacto do que aconteceu no acidente radiológico do Césio-137.