Em sua rede social, diretor de “O Agente Secreto” detalha a euforia em torno das quatro indicações de “O Agente Secreto” ao Oscar. Além disto, cineasta fala sobre a força cinematográfica do Brasil

O cineasta Kleber Mendonça Filho se manifestou após a confirmação do feito histórico de “O Agente Secreto” no Oscar 2026. Nesta quinta-feira, o filme foi indicado em quatro categorias na premiação mais tradicional do cinema.
Em vídeo divulgado em seu perfil na rede social, o diretor apontou que a façanha de “O Agente Secreto” vem de um legado bastante extenso do cinema brasileiro.
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Diretor fala sobre marco de “O Agente Secreto”
O diretor iniciou o vídeo contando como foi acompanhar o anúncio dos indicados. Além disto, deixou agradecimentos a todos e revelou que o “O Agente Secreto” alcançou um novo marco de espectadores:
“Olá, pessoal! Muito obrigado por toda essa energia que a gente está sentindo do público brasileiro para “O Agente Secreto” e para essas quatro indicações. A gente estava até agora há pouco com vários amigos que ajudaram, fizeram parte do filme.Foi muito bom… Muito bom em termos… Fiquei bem nervoso, né? Mas foi bom acompanhar ao vivo a transmissão.
E eu quero também agradecer à Neon pelo trabalho excelente que vem sendo feito e que agora tem continuidade nos Estados Unidos divulgando o filme. Nos Estados Unidos e também em outros países. Agradecer à Vitrine Filmes aqui no Brasil, que ajudou a gente a transformar “O Agente Secreto” num arrasa-quarteirão. Passamos ontem de 1,5 milhão de espectadores, o que é absolutamente incrível”
Em seguida, Kleber Mendonça Filho deixou seu recado a Wagner Moura protagonista de “O Agente Secreto”, e contou a forma inusitada como ele soube que foi indicado ao Oscar de Melhor Ator:
“Eu quero agradecer e mandar um grande abraço para o Wagner Moura, que estava num avião quando ele soube que estava indicado ao Oscar de Melhor Ator. (pausa) Tem gente ligando aqui, depois eu atendo…”.
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Kleber Mendonça Filho traça panorama entre “O Agente Secreto” e sua ligação com o cinema brasileiro

O cineasta ainda exaltou que “O Agente Secreto” vem na esteira de um momento muito importante do cinema brasileiro:
“Eu queria dizer uma coisa também que é muito boa. Esse filme, ele está vindo um ano depois do “Ainda Estou Aqui”, do Walter Salles. Esse é um filme que tem quatro indicações, que é a mesma quantidade indicações que o “Cidade de Deus”, do Fernando Meirelles e da Katia Lund, conseguiu em 2003, se eu não me engano… E fala-se muito das grandes premiações, né? Prestigiosas como o Globo de Ouro que a gente ganhou dois e fez história, e agora com as quatro indicações ao Oscar. Mas eu quero lembrar uma coisa. “O Agente Secreto” é uma combinação de muitas outras coisas, né? ” – e reforçou:
“É a combinação, por exemplo, de vir de uma cidade que é o Recife, que tem um talento muito natural, muito nato para a cultura, para a literatura, para o teatro, para a música e, claro, para o cinema. “O Agente Secreto” não surgiu esse ano. “O Agente Secreto” é fruto de muitos outros filmes. Não só os filmes que eu já fiz, mas “O Agente Secreto não existiria sem “Amarelo Manga”, de Claudio Assis. Porque foi a primeira vez que eu vi a cidade do Recife em tela de CinemaScope, na época na primeira exibição do filme no Festival do Rio, aquilo me impactou muito”. – completou.
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Diretor defende políticas públicas: “Investimento na identidade nacional”

O diretor de “O Agente Secreto” reforçou sua crença na necessidade de políticas públicas para investir na identidade do país:
“Então, “O Agente Secreto” é fruto de políticas públicas. Políticas públicas são uma maneira inteligente, está na nossa Constituição de você investir na identidade do próprio país com políticas públicas para as artes, para a expressão artística. Eu realmente acho que a população do nosso país passa a se ver e é muito interessante, muito importante quando você se vê”.
Além disto, contou o quanto é relevante para a formação cultural ver filmes do próprio país. E em seguida, falou sobre a forma como acontece o investimento na cultura do Brasil:
“Ver filmes de outros países é parte do que nós somos. Eu fui construído vendo filmes do mundo inteiro e, claro, vendo também filmes de Hollywood. Mas você ver a arte, a produção artística brasileira, isso é de extrema importância. E o Brasil é um dos países que utiliza de forma inteligente o investimento público em produtos culturais do Brasil. Um pouco como se investe também na indústria automobilística, um pouco também como se investe no agronegócio. Tudo isso faz parte de como a sociedade funciona. E eu acho que investir no produto cultural de um país é uma maneira muito inteligente de investir esse dinheiro” – e destacou:
“A gente tem agora novos filmes em Berlim, no Festival de Berlim. A a gente tem, eu espero, novos filmes incríveis sendo trabalhados hoje, ou escritos, ou montados, ou mixados nesse momento em que eu estou aqui falando com vocês. Portanto, um grande abraço para todo mundo que tem acompanhado a trajetória de “O Agente Secreto” desde maio (de 2025) no Festival de Cannes e… E estamos aí. Eu estou muito feliz com o dia de hoje. Um grande beijo para vocês. A Emilie (Lesclaux, produtora do filme e esposa de Kleber Mendonça Filho) está aqui do meu lado. E é isso. Boa tarde!”.