
O feriado de 21 de abril marca a lembrança da morte de Joaquim José da Silva Xavier, o mártir da Inconfidência Mineira. Em 1792, Tiradentes foi executado no Rio de Janeiro, acusado de ser o líder do movimento que buscava a independência de Minas Gerais do domínio da Corte Portuguesa.
A história do movimento chegou às telas do cinema em 1972, no emblemático “Os Inconfidentes”, clássico de Joaquim Pedro de Andrade.
“Os Inconfidentes”: panorama completo sobre o movimento

“Os Inconfidentes” traz um olhar muito forte sobre o que aconteceu em torno do movimento. Dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, o filme mostra a forma como a Coroa de Portugal governou com mão de ferro perante os brasileiros.
O olhar é centrado em especial no momento no qual os inconfidentes estão presos. Seus diálogos ssão retirados tanto dos “Autos da Devassa” (documentos oficiais do processo) quanto de versos escritos pelos poetas rebeldes (como Tomás Antonio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto) e do “Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles.
“Os Inconfidentes”: filme bastante crítico em relação à Corte

“Os Inconfidentes”, de Joaquim Pedro de Andrade”, não se restringe a Tiradentes. Além de mostrar o mártir Joaquim José da Silva Xavier, interpretado por José Wilker, os demais integrantes da Inconfidência Mineira ganham espaço no filme.
Tomás Antônio Gonzaga é interpretado por Luiz Linhares, enquanto Fernando Torres interpreta o poeta Cláudio Manoel da Costa. Alvarenga Peixoto é feito por Paulo César Pereiro. Carlos Kroeber faz o papel de Paula Freire e Carlos Gregório interpreta José Álvares Maciel. Dona Maria I é feita por Margarida Rey.
Wilson Grey, recordista como ator com mais de 200 participações em filmes brasileiros, interpreta o delator Joaquim Silvério dos Reis.
Cineasta que fez “O Padre e A Moça” e “Macunaíma”, Joaquim Pedro de Andrade é bastante crítico em relação à Corte de Portugal e mostra situações que marcaram o movimento. O filme mostra cenas de traição, imagens de tortura e repressão a intelectuais em uma obra que resgata a memória da história do Brasil.
“Os Inconfidentes” ainda aponta Tiradentes como o único a assumir até o fim as convicções políticas da Inconfidência Mineira, com um olhar muito bem feito de Joaquim Pedro de Andrade. Além de receber o Troféu APCA de 1973, a obra ficou entre os 100 melhores filmes da Abraccine do Brasil.