
Mais um edifício conhecido de São Paulo recebeu um olhar cinematográfico. Depois de “Pele de Vidro”, é a vez de chegar aos cinemas o documentário “Copan” chega aos cinemas nesta quinta-feira, após um período bem-sucedido em festivais.
Dirigido por Carine Wallauer, “Copan” foi o vencedor do Festival É Tudo Verdade em 2025 na categoria Melhor Filme Brasileiro. O filme traz um retrato íntimo do edifício que se torna um microcosmo do Brasil.
“Copan” rendeu uma vasta pesquisa. Veja detalhes!
“Copan” traz um trabalho de quem conhece a fundo a obra arquitetônica. A cineasta Carine Wallauer morou durante sete anos no edifício.
A diretora contou o que pretendeu fazer em seu documentário:
-“Copan” é uma profunda jornada observacional que se desenvolve em narrativa intimista. Enquanto as engrenagens da vida cotidiana se movem no que vemos, o som nos lembra que dentro de cada indivíduo pulsa um mundo de sensações e pensamentos. E o edifício se revela, ele mesmo, uma entidade viva – disse.
A produtora Viviane Mendonça, assim como o DJ KL Jay (o lendário DJ do Racionais MC’s), responsável pela trilha sonora ao lado dos filhos DJ Will e DJ Kalfani, moram no edifício há anos.
“Copan” traz os bastidores do edifício

“Copan” traz um momento peculiar no edifício projetado por Oscar Niemeyer. O local que abriga mais de cinco mil moradores em 1.160 apartamentos e se torna palco de uma eleição acirrada.
O síndico, há 30 anos no cargo, luta para manter sua posição, enquanto uma disputa ainda maior se desenrola fora das paredes do edifício, com Lula e Jair Bolsonaro disputando a presidência do Brasil. Dirigido por Carine Wallauer “Copan” é um retrato do Brasil contemporâneo e das engrenagens do poder, entrelaçando realismo social e sci-fi em um dos prédios mais emblemáticos do país.
No meio desse processo surge uma das figuras mais fundamentais e controversas da história do Copan, Affonso Celso Prazeres de Oliveira, que comandou o prédio com mão firme por mais de três décadas, e faleceu recentemente, em dezembro de 2025, aos 86 anos.
Ao acompanhar o cotidiano do edifício, com seus 32 andares, 1.160 apartamentos e mais de 70 estabelecimentos comerciais, o documentário revela as tensões, negociações e formas de convivência que atravessam esse espaço coletivo. Mudanças recentes, como o avanço das locações de curta duração por plataformas como Airbnb, intensificam conflitos e ajudam a evidenciar transformações que representam e ultrapassam os limites do prédio, como a crise da moradia, a especulação imobiliária e a gentrificação no Centro de São Paulo.
O filme também foi também o único representante latino-americano na competição oficial do CPH:DOX 2025, um dos principais festivais do gênero no mundo.