
O cinema brasileiro volta seus olhos para uma das construções mais marcantes da história de São Paulo. Chegou ao circuito “Pele de Vidro”, documentário de Denise Zmekhol sobre um dos prédios icônicos da capital paulista.
“Pele de Vidro” tem como ponto de partida uma história muito pessoal. A cineasta descobriu que o edifício mais famoso de Roger Zmekol, arquiteto renomado que era seu pai, passou por uma grande transformação. O arranha-céu modernista de vidro no coração de São Paulo passou a ser ocupado por centenas de moradores sem-teto.
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Veja o trailer de “Pele de Vidro”
“Pele de Vidro”entrelaça delicadamente o pessoal e o político, e é uma reflexão profunda e comovente da evolução do Brasil durante épocas de escuridão, transformação e renascimento.
O filme chegou ao circuito em Brasília (DF), Campinas (SP), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Ribeirão Preto (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).
A cineasta Denise Zmekhol contou o que a levou a fazer “Pele de Vidro”:
– Em 2017, depois de duas décadas como imigrante nos Estados Unidos, fico sabendo de uma controvérsia no Brasil sobre a obra mais famosa de meu pai. O espaço estava ocupado por algumas centenas de moradores sem-teto. A notícia reabre portas há muito tempo fechadas para um pai que perdi muito cedo. Determinada a me reconectar com meu pai, retorno ao Brasil em busca de seus vestígios na torre de vidro, que foi um projeto pioneiro na época – afirmou.
Coprodução Brasil/EUA, “Pele de Vidro” passou por mais de 60 festivais ao redor do mundo e recebeu 13 prêmios, incluindo melhor longa documental em festivais de arquitetura na França, Itália, Espanha e Suécia. Recebeu também o prêmio do público no Mill Valley Film Festival (EUA) e menção honrosa no Ischia Film Festival (Itália). A distribuição é da Autoral Filmes.
A trajetória do “Pele de Vidro”

O Edifício Wilton Paes de Almeida foi projetado a partir da década de 1960. O prédio de 24 andares foi entregue em 1968 para abrigar a Companhia de Vitrais do Brasil, que era de propriedade de Sebastião Paes de Almeida, e outros empreendimentos. A fachada do prédio era inteiramente revestida em painéis de vidro.
No fim da década de 1970, devido a dívidas com a Receita Federal, o grupo Paes de Almeida teve de entregar o imóvel para a Caixa Econõmica Federal. A partir da década de 1980, o edifício foi sede da Polícia Federal e ficou marcado por ser o lugar no qual passaram o mafioso Tomaso Buschetta e o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto.
Em 2003, a Polícia Federal deixou o prédio e mudou para a Lapa. O imóvel ficou abandonado e, aos poucos, famílias passaram a ocupar irregularmente o local. O cadastro da prefeitura de São Paulo informou que foram cadastradas 248 pessoas e 92 famílias no “Pele de Vidro”, além de uma faixa do Movimento Social de Luta por Moradia (MSLM).
Na madrugada de 1º de maio, o Edifício Wilton Paes de Almeida pegou fogo e, posteriormente, desmoronou. O incêndio trouxe marcas profundas em São Paulo e foi significativo para a cineasta enquanto estava rodando “Pele de Vidro”:
-Passei o mês seguinte conhecendo dezenas de sobreviventes do incêndio. Conhecer mais a fundo as histórias dos residentes me permitiu entender melhor a complexidade desse momento e da minha história pessoal. Meu pai era meu refúgio, seu edifício era o deles – afirmou.
“Pele de Vidro” é uma coprodução de Denise Zmekhol Produções, ZDFILMS e iTVS em Associação com Latino Public Broadcasting, e Independent Lens para PBS, com apoio da Corporation for Public Broadcasting (CPB).